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Uma carta escrita em papel de seda, abandonada tal qual o corpo violentado da mulher, ao lado de um não desejado homem adormecido depois do gozo, jazia sobre a mesa. Em letras desenhadas com esmero, podia-se ler a repetida frase: “Eu te amo, eu te amo”. Fio Jasmim pousou sobre a folha, que, balançada ao vento, um descuidado olhar, já sabia de cor todo o conteúdo. Tina lhe escrevia quase sempre. Ele tinha inúmeras cartas dela e não sabia mais o que fazer com tantas folhas. Muito menos, com o amor da moça. Devolver as cartas, podia; mas, sem elas, como convencer a sua mulher que ele, primeiramente, havia sido vítima de assédio sexual e, com o tempo, do amor louco da moça? Não, ele não era culpado. A moça sabia que ele era casado e, mesmo assim, se oferecia. Lá estavam as palavras dela, escritas por ela, assinadas por ela. Tina Maria Perpétua.
A experiência da personagem Tina é de extrema vulnerabilidade afetiva, assim percebida pelo amante como útil, mas exageradamente emocionada, porque ela entende-se enamorada, a ponto de revelar o seu amor por Fio Jasmim, mesmo sabendo do compromisso social e afetivo com a esposa oficial.