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Usualmente toma-se como justificativa para a saída dos jovens da escola as dificuldades econômicas familiares, que obrigam o jovem a exercer alguma atividade remunerada para auxiliar no orçamento doméstico.
É óbvio que, em um país de desigualdades como o Brasil, no qual muitas famílias vivem em condições de miséria, há grande probabilidade de um jovem se ver obrigado a buscar meios de subsistência, em detrimento da continuidade de sua vida escolar. Essa é uma situação incontestável, mas será que a evasão escolar pode ser reduzida a esse contexto? Há uma relação biunívoca entre necessidades econômicas e evasão escolar?
Ao lidarmos com a inclusão escolar de pessoas com algum tipo de deficiência, também nos deparamos com a retirada dessas pessoas da escola, muitas vezes ainda na infância, e isso ocorre com base em justificativas que passam longe das causas econômicas. Observamos que os envolvidos no processo, educadores e família, muitas vezes não enxergam a necessidade de permanência desses jovens na escola, já que eles não aprendem como os demais. Constatamos, assim, que características pessoais também têm sido impedimento para que o direito à educação seja desfrutado.
Apesar da legislação e das inúmeras pesquisas acadêmicas sobre a inclusão, na prática encontramos enormes dificuldades em implantá-la. E as justificativas são as mais variadas: “esta não é a escola mais adequada para esse aluno”; “eu não sei como ensinar a ele”; “ele veio sem diagnóstico”; “ele é muito limitado e, ao mesmo tempo, é tão esperto que só faz o que quer”; “ele já está muito grande para ficar na escola” – e há diversas outras.
Ao refletirmos sobre as causas da evasão escolar, nos deparamos com questões relativas ao preconceito. Devemos discutir, então, a partir dessa constatação, se a saída dos jovens da escola não se deve, em alguma medida, a concepções ideológicas que minimizam a importância e a necessidade de escola para quem possui diferenças em relação à normalidade e à expectativa vigentes.
Segundo as ideias presentes no texto, tanto familiares quanto educadores defendem a evasão escolar de alunos com deficiência, em certas situações.