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O presidente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, dr. Wagner F. Gattaz, em um breve panorama sobre a saúde mental dos trabalhadores ao redor do mundo, destaca o impacto que a depressão gera tanto na vida dos funcionários quanto na economia das organizações e afirma que a melhor via para a promoção do bem-estar do empregado e da produtividade da empresa é investir em programas de saúde mental.
Segundo o especialista, a depressão é uma doença que se caracteriza por um período mínimo de duas semanas em que a pessoa se sente triste, melancólica, com sensações de aperto no peito (angústia), inquietação (ansiedade), desânimo e falta de energia. O indivíduo sente-se apático, perde a motivação, acha tudo sem sentido, torna-se pessimista e preocupado. Tal estado afeta o organismo como um todo e compromete o sono, o apetite e a disposição física. O risco de adoecimento por depressão ao longo da vida é de 10% para homens e 15% para mulheres e estudos epidemiológicos em diversos países mostram que hoje, no mundo, cerca de 350 milhões de pessoas de diferentes classes sociais sofrem de depressão.
O dr. Gattaz destaca que, além de intenso sofrimento para o indivíduo, a depressão é a maior causa de queda de produtividade no trabalho: “O que se observa é que existe uma interação entre o trabalho e a doença. O deprimido, devido aos sintomas de desânimo, falta de concentração e insegurança, passa a ter um rendimento menor, o que, por sua vez, causa uma frustração que agrava seu quadro depressivo.”
O médico afirma, ainda, que, só nos Estados Unidos da América, a depressão gera anualmente custos diretos e indiretos que somam U$ 250 bilhões. A queda na produtividade gerada pela depressão tem um impacto na economia e nas empresas, sendo responsável por 50% desses custos. Outros impactos importantes são o absenteísmo, o aumento da rotatividade dos funcionários e os efeitos da depressão nos custos do seguro saúde. Estudos internacionais das duas últimas décadas indicam que a qualidade de vida diminui com o aumento da gravidade dos sintomas depressivos, havendo, portanto, uma relação inversamente proporcional entre ambas.
O Dr. Gattaz observa, por fim, que, embora a depressão seja uma doença de alta prevalência, que causa um inigualável sofrimento para o indivíduo e um forte impacto na economia e na qualidade de vida, globalmente ela é, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a mais subdiagnosticada entre todas as doenças: 45% das pessoas com depressão não recebem um diagnóstico e, portanto, não são tratadas adequadamente. Esse quadro se repete nas empresas e causa o sofrimento dos funcionários e perdas econômicas. Diferentes estudos mostram que, nas empresas, programas de saúde mental que focam principalmente o diagnóstico da depressão restituem a saúde de seus funcionários e garantem um retorno de 2 a 3 vezes do que foi investido.
Haveria prejuízo dos sentidos do texto caso a oração “que focam principalmente o diagnóstico da depressão” (linha 56) estivesse isolada entre vírgulas.