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A indústria têxtil é uma das indústrias mais consolidadas do Brasil, com a maior cadeia têxtil completa do Ocidente. Há projeção de o País se tornar o maior exportador de algodão do mundo em 2024, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT). Ao todo, são 160 mil toneladas de resíduos têxteis gerados anualmente, muitos dos quais, como é o caso do jeans e dos tecidos sintéticos, contêm metais pesados que podem contaminar o solo ou corpos hídricos.
Os impactos do jeans nas águas superficiais são diversos. Maria Eliza Hassemer, doutora em engenharia ambiental e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), aponta três principais: descarte de produtos químicos; resíduos industriais; e consumo de água. “O processo de lavagem na produção de jeans envolve grandes quantidades de água, muitas vezes contendo detergentes e outros produtos químicos. O descarte inadequado desses produtos químicos pode contaminar as águas superficiais, causando poluição e afetando a qualidade do corpo hídrico receptor”, afirma. Segundo dados de 2020 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a produção de uma calça jeans consome 3.789 litros de água, sem contar o tingimento com produtos químicos poluentes.
No Brasil, são fabricados dois tipos de jeans: o premium, feito 100% de algodão; e o misto, composto de algodão com poliéster e, às vezes, com poliuretano, conhecido também como lycra. Ambos são tingidos com corantes sintéticos, que contêm poluentes. O mais produzido no País é o misto, que é mais barato, mas apresenta problemas na decomposição, devido à mistura de fibras. “Essa mistura dificulta qualquer possibilidade de reciclagem e de transformação do tecido do jeans em fibra novamente”, ressalta Júlia Baruque Ramos, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora na área de reciclagem têxtil.
A omissão da vírgula empregada logo após a palavra “barato” (linha 31) prejudicaria a correção gramatical do texto.