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Você pagaria mais de um milhão de dólares por um livro de matemática do Renascimento? Pois a cifra de US$ 1,2 milhão foi desembolsada por um comprador anônimo, que arrematou em um leilão da Christie’s, realizado em 2019, em Nova Iorque, a obra Summa Arithmetica, do frade italiano Luca Pacioli. Publicado na Itália em 1494, ele é considerado o primeiro manual de contabilidade da história. Seu método das partidas dobradas – em que cada lançamento é feito em duas contas, uma como débito e outra como crédito – é até hoje base da contabilidade.
Um trecho menos famoso do livro, entretanto, pode ser um aliado importante de quem planeja investir. Trata-se da Regra do Número 72, que mostra em quanto tempo o capital inicial, remunerado a uma taxa fixa, dobraria – ou em quanto tempo a riqueza de um país dobraria se crescesse a determinada taxa, ou, ainda, em quanto tempo a inflação reduziria à metade o poder de compra do dinheiro. O procedimento é simples: basta usar o 72 como dividendo e o parâmetro que se quer avaliar como divisor. Economistas dizem hoje, entretanto, que 72 não é o número mais adequado. Muitos preferem o 70 ou o 69. A escolha do 72 por Pacioli, no entanto, foi uma de suas muitas astúcias. Esse é um número que pode ser dividido por 2, 4, 6, 8 e 12 e, por causa disso, a maioria das operações aritméticas são mais fáceis de resolver com 72 que com 69.
Luca Pacioli não apenas escreveu um dos livros seminais da contabilidade, mas também recuperou textos matemáticos importantes que haviam sido esquecidos com o tempo. Arriscou-se ainda no campo da arte e da arquitetura, o que o levou a conhecer Leonardo da Vinci, com quem acabou desenvolvendo uma amizade. Para Margaret Ford, da seção de Livros e Manuscritos da casa de leilões Christie’s, o frade foi “o último homem do Renascimento”: “Summa Arithmetica é um livro muito moderno. Pacioli deliberadamente decidiu escrever em língua vernácula em vez de latim e, assim, sua voz foi muito além do mundo escolástico”.
A expressão “a cifra” (linha 2) poderia ser substituída no texto, mantendo-se seu sentido original, pela expressão a soma.