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Jovem que vendeu sanduíches para estudar serviço social em Portugal quer criar projeto em Porto Alegre
Em março de 2016, o jovem Tales Cauim de Oliveira Aires, então com 22 anos, recebeu a notícia de que havia sido aceito no curso de Educação Social da Universidade do Algarve, em Portugal, graças a sua nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Morador do bairro Glória, na Zona Sul de Porto Alegre, Tales precisava superar apenas um obstáculo para concretizar o sonho de estudar no exterior: arrecadar o dinheiro necessário para pagar passagem, estadia e alimentação no país europeu, valor que ele estimava em cerca de R$ 8 mil.
Já em 2022, o gaúcho segue morando no país da Europa, ele trabalha em um projeto social na área que ama e já deu início ao processo de cidadania portuguesa. Segundo ele, o valor vindo da venda de sanduíches foi responsável por manter suas necessidades na época, enquanto o montante arrecadado na vaquinha foi guardado em uma poupança para ser usado em Portugal.
Os estudos, no entanto, precisaram ser interrompidos por conta da pandemia e para que o brasileiro pudesse trabalhar para se sustentar.
“Vim pra cá em setembro de 2016. O começo foi pancada, mas é normal este tempo de se estabilizar. Quando tu imigra, é como se tu nascesse do zero. Todos os contatos que tu tinha, no dia seguinte tu perde. Precisa criar novos amigos, novas experiências de trabalho, tem que criar do zero a vida. Mas vi muitas vantagens. Atualmente, me encontro estabilizado e trabalhando na área, que é o que eu queria”, conta.
Em Portugal, Tales estuda Educação Social, uma variação do serviço social mais voltada para educação. Uma “mistura de magistério, pedagogia e serviço social”, segundo ele. Foram dois anos de estudo, que precisou ser recomeçado do zero, já que o currículo brasileiro não é aceito no país europeu. Em 2018, no entanto, dificuldades financeiras fizeram com que Tales trancasse o curso para trabalhar.
Se os primeiros anos foram de ocupações informais, agora Tales trabalha exatamente na área que ama: ele faz parte do projeto ECOS – Oficina Ecológica de Cooperação Social, financiado pela União Europeia em parceria com o governo português e a prefeitura de Albufeira, cidade litorânea de Portugal, na região do Algarve. Criado em 2020, é uma iniciativa que alia capacitação pessoal pela cultura e consciência ambiental, em oficinais e espaços voltados para pessoas de baixa renda, desempregados e aposentados.
Apesar de pública, a faculdade em que Tales estuda cobra uma anuidade. Para portugueses, o valor é de 800 euros, bem menos do que o preço para estrangeiros, que chega a 2,5 mil euros. Por isso, Tales já deu início ao processo de nacionalização portuguesa.
Se a experiência em terras europeias é considerada positiva pelo gaúcho, ele diz que pretende absorver o máximo de conhecimento antes de trazê-lo de volta para Porto Alegre.
Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).
No último parágrafo, o pronome que a forma verbal “trazê-lo” contém refere-se à palavra “gaúcho” (linha 28).