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O prêmio Nobel de Química de 2023 ficou com pesquisas relacionadas à descoberta de pontos quânticos, que deram cor à nanotecnologia. A descoberta está presente em televisores e monitores com tecnologia QLED — o “Q” refere-se exatamente aos pontos quânticos —, além de estar presente em luminárias LED. Também tem potencial para ser usada na medicina, para guiar a remoção de tecidos tumorais.
Ana Flávia Nogueira, pesquisadora da Unicamp e membro da ABC (Academia Brasileira de Ciências), é uma das pesquisadoras brasileiras que trabalha com pontos quânticos. A primeira pesquisa com pontos quânticos da qual recorda estar envolvida lidava com células fotovoltaicas, ou seja, células solares, usadas em painéis para a captação de energia solar.
No entanto, segundo Nogueira, tal uso em células solares deve ter um desenvolvimento mais robusto só mais para a frente. Por enquanto, a aplicação mais clara e visível para todos, literalmente, é o uso em telas QLED.
Na biologia e na medicina, Giovannia Pereira, pesquisadora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), menciona que os pontos quânticos são potencialmente capazes de, durante uma cirurgia, “fazer brilhar” um tecido de tumor que tem que ser removido. “Você tem a certeza de que o que está sendo retirado são células cancerígenas”, diz a pesquisadora, ressaltando que esse é um provável uso futuro dos pontos quânticos.
A pesquisadora da UFPE também cita o potencial dos pontos quânticos para identificação e quantificação de poluição. Nogueira cita que há também o potencial uso dos pontos para a degradação de poluentes orgânicos.
As duas pesquisadoras mencionam as limitações presentes nesse campo de pesquisa no Brasil, apesar dos esforços de cientistas da área. “Somos muito bons em estudar os fundamentos, mas temos uma dificuldade muito grande de colocar esse material em aplicação”, afirma a cientista da Unicamp.
A correção gramatical do texto seria mantida caso a expressão “Por enquanto” (linha 18) fosse substituída por Por ora.