///
Um quarto da população mundial vive em áreas carentes de infraestrutura, nas franjas urbanas e nas periferias das grandes cidades. Favelas, tugurios, bairros de lata e bairros precários continuam a crescer em toda a América Latina e nos subúrbios de cidades da Europa do Sul ou Mediterrânica, aos quais todos os dias chegam imigrantes e refugiados de países e continentes mergulhados em crises humanitárias de origens diversas.
Segundo dados de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 5 milhões de domicílios no Brasil estão situados em assentamentos informais: favelas; invasões; grotas; baixadas; comunidades; loteamentos ilegais; mocambos; e palafitas. Nesses assentamentos, a vulnerabilidade de pessoas e moradias é muito alta, portanto, quando um evento extremo atinge essas áreas, o impacto é inescapavelmente forte, o que dá origem a uma série de desastres.
As mudanças climáticas e os riscos naturais associados, bem como os conflitos armados, a fome, as perseguições políticas ou religiosas, levaram a um influxo em massa de pessoas deslocadas e refugiados em todo o mundo. Sua vulnerabilidade é ainda maior devido à extrema falta de acesso a terras, a financiamentos e a abrigos.
Novos desafios sociais relacionados com o aquecimento global colocam-se aos arquitetos. Nenhum profissional do ambiente construído pode ficar indiferente a esse movimento global consubstanciado no acordo de Paris e em relatórios associados do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC). Assim, a arquitetura é chamada não só a se engajar no debate, mas também a desempenhar um papel significativo na resposta global e operativa, do edifício à cidade.
O alto impacto de um evento extremo em assentamentos informais está relacionado à alta vulnerabilidade das pessoas que ali residem e de suas moradias, além do alto índice populacional dessas regiões.