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Sem incentivo, ao longo da vida, para desenvolver a leitura e a escrita, muita gente chega à idade adulta com dificuldades na hora de escrever corretamente, seja um texto técnico ou algo mais corriqueiro, como, por exemplo, um e‑mail. O problema acaba gerando entraves práticos, como, por exemplo, a reprovação em processos seletivos – fato identificado em levantamento recente do núcleo brasileiro de estágios (Nube).
Para a professora Dorotea Kersch, da Escola da Indústria Criativa e do Programa de Pós‑Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos, não há jeito: para se ler e se escrever bem, é preciso que se leia e se escreva bastante.
— É mais ou menos como outras atividades. Quanto mais você faz, mais bem você vai fazê‑las. Dirigir, por exemplo: tu podes receber longas explicações sobre como se dirige, mas não quer dizer que, ao sentar no assento do condutor, tu vais sair dirigindo. É a experiência de leitura e de escrita que vai fazer com que tu leias e escrevas bem — resume a docente.
A especialista alerta, porém, que é fundamental conhecer usos sociais diferentes da leitura e da escrita, para que o indivíduo consiga usar a língua portuguesa em diferentes contextos. Ler, hoje, envolve muito mais que livros – é preciso entender o contexto, que ajudará a pessoa a identificar, por exemplo, quando uma notícia é falsa ou verdadeira.
De acordo com a professora Dorotea Kersch, a prática constante da leitura e da escrita é dispensável para que se leia e se escreva bem.