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Você é feliz? E agora, neste exato momento, você está feliz? Esperamos que sim. Mas seja qual for o seu veredicto, você provavelmente hesitou um pouquinho antes de responder. Porque a felicidade é fugidia: às vezes conseguimos agarrá-la e queremos ficar assim para sempre, mas aí ela começa a escorrer como areia por entre os dedos – ou simplesmente some, sem motivo aparente, para reaparecer tempos depois. Como escreveu Machado de Assis, a felicidade é uma quimera: algo que você passa a vida tentando alcançar, mas está sempre escapando. Ela é muito mais do que ter saúde, dinheiro, liberdade e uma rede de apoio social – que são os critérios usados pelo world happiness report, da Organização das Nações Unidas (ONU), para medir o grau de felicidade de uma nação. Na décima edição desse ranking, publicado em 2022, o Brasil aparece apenas na 38.a posição; e os países mais felizes do mundo são, pela ordem, Finlândia, Dinamarca e Islândia. A Finlândia, aliás, lidera o ranking há cinco anos. Só que 18,8% da sua população tem algum problema psicológico, especialmente com o desenvolvimento de depressão – o percentual mais alto da União Europeia. Você pode ter tudo objetivamente, e mesmo assim não se sentir feliz. O mais provável é que a felicidade e a infelicidade estejam relacionadas a mecanismos cerebrais mais complexos do que se imagina. Nos últimos anos, a ciência encontrou alguns sinais disso. Descobriu-se, por exemplo, uma molécula que carimba cada uma das memórias – e determina se ela vai ser positiva ou negativa. E que o cérebro possui uma malha de circuitos, a chamada rede de modo padrão, que pode ser decisiva para a sensação de (in)felicidade. Uma das características mais típicas da tristeza é ficar ruminando as coisas: repetir muitas vezes os mesmos pensamentos negativos, que ocupam um tempo enorme e vão assumindo um peso bem maior do que o real (o termo é uma referência aos animais ruminantes, como, por exemplo, as vacas, que ficam um tempão mastigando os alimentos). A felicidade não é sólida; ela oscila, momento a momento. Uma hora nos sentimos felizes e outra, não, mesmo quando não há estímulos claramente negativos. Todo mundo oscila entre o feliz e o não tão feliz; o alegre e o neutro; o melancólico e o triste; e mil outras emoções. Todas têm sua função, inclusive porque elas podem ser instrumentos da razão e nos ajudam a fazer julgamentos rápidos e com menos esforço cognitivo. Vale a pena andar na montanha-russa das emoções – mesmo que isso signifique encarar uma sequência interminável, muitas vezes imprevisível, de subidas e descidas. Por mais que estejamos sempre correndo atrás da felicidade, sabemos que ela vai escapar e voltar sem muito controle, guiada por balés neuroquímicos e ventos da vida. E tudo bem, pois as coisas também precisam dos seus opostos. Se não houvesse a escuridão da noite, jamais veríamos o sol nascer. Se tudo fosse feliz, nada seria feliz.
Infere-se do texto que o world happiness report, da ONU, possui os melhores critérios para medir a felicidade da nação.