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O ato de consumo em si não é um problema. O consumo é necessário à vida e à sobrevivência de toda e qualquer espécie. Para respirar, precisamos consumir o ar; para nos mantermos hidratados, temos que consumir água; para nos mantermos saudáveis, necessitamos de alimentos. O mesmo acontece com outras espécies que compartilham este planeta conosco. O problema é quando o consumo de bens e serviços acontece de forma exagerada, de modo a levar à exploração excessiva dos recursos naturais e interferir no equilíbrio do planeta.
Relatórios de respeitadas organizações ambientais defendem que nós, seres humanos, já estamos consumindo mais do que a capacidade do planeta de se regenerar, alterando o equilíbrio da Terra. Segundo o relatório Planeta Vivo (WWF, 2008), a população mundial já consome 30% a mais do que o planeta consegue repor. Outro relatório, o Estado do Mundo 2010, do World Watch Institute (WWI), afirma que hoje extraímos anualmente 60 bilhões de toneladas de recursos naturais. Isso representa 50% a mais do que extraíamos 30 anos atrás.
Um outro problema, além da exploração do planeta, é a produção de lixo, os restos gerados diariamente pela sociedade. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, em 2018 nosso País produziu cerca de 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Cerca de 51% desse resíduo é matéria orgânica, isto é, comida, alimento. Os outros 49% são compostos por materiais de todo tipo, como plástico, vidro, alumínio, papel, tecidos (como roupas velhas), borracha, entre outros. Essa quantidade monumental de lixo provoca um grande impacto socioambiental, especialmente se considerarmos que a maioria das cidades brasileiras não possui um depósito adequado para isso.
A questão que temos que perguntar é a seguinte: de quem é a responsabilidade pelo descarte dessa quantidade monumental de resíduos, em especial as embalagens? A resposta mais simples seria dizer que todos nós — sociedade, governo e empresas — somos responsáveis. Mas cada um desses atores possui responsabilidades diferentes nesse processo.
Internet: <www.recicloteca.org.br> (com adaptações).
De acordo com o texto, considera-se matéria orgânica qualquer resíduo de alimento, plástico, vidro, alumínio, papel, tecido ou borracha.