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Os estereótipos são numerosos. Há estereótipos de grupos étnicos, de cidadãos de outras nações, de gêneros e preferências sexuais, de pessoas nascidas em várias épocas do ano e das profissões. A interpretação mais generosa atribui esse modo de pensar a uma espécie de preguiça intelectual: em vez de julgar as pessoas por seus méritos e defeitos individuais, concentramo-nos em duas ou três informações a seu respeito, que depois inserimos em escaninhos previamente construídos. Isso poupa o trabalho de pensar, embora, muitas vezes, custe o preço de se cometer uma profunda injustiça. Mesmo que a estereotipagem seja válida em média, está fadada a fracassar em muitos casos individuais.
Alguns estereótipos resultam do esquecimento de outros fatores que poderiam estar em jogo. Por exemplo, antes quase não havia mulheres na ciência. Muitos cientistas masculinos eram veementes: isso demonstrava que as mulheres não tinham a capacidade para fazer ciência. Por temperamento, o trabalho não lhes convinha, era muito difícil, elas são muito emotivas para serem objetivas... e assim sucessivamente. Desde então, as barreiras vêm caindo. Hoje, as mulheres povoam a maioria das disciplinas da ciência, fazendo descoberta após descoberta.
Assim, quais dados aqueles famosos cientistas masculinos das décadas de 50 e 60, que, com tanta autoridade, davam declarações sobre as deficiências intelectuais das mulheres, não estavam considerando? Simplesmente, a sociedade impedia que as mulheres entrassem na ciência e logo as criticava por isso, confundindo causa e efeito. Quer ser astrônoma, jovem? Sinto muito. Por que não pode sê-lo? Porque não está à altura. Como sabemos que não está à altura? Porque as mulheres nunca foram astrônomas.
Exposto de modo tão áspero, o caso parece absurdo. Mas as artimanhas do viés podem ser sutis. Observadores de reuniões de céticos têm sugerido que há algo de peculiarmente masculino no ceticismo. Exige trabalho duro, enfrentamentos, é competitivo, difícil... enquanto as mulheres, dizem eles, têm mais tendência a aceitar, a construir um consenso, e não lhes interessa questionar a sabedoria convencional. Mas, segundo minha experiência, as mulheres cientistas têm o sentido cético tão afiado quanto o de seus colegas masculinos; isso faz parte de ser cientista. Essa crítica é apresentada ao mundo sob o disfarce esfarrapado habitual; se dissuadirmos as mulheres de serem céticas e não as treinarmos no ceticismo, descobriremos que muitas delas não o são. Abram as portas e deixem as mulheres entrarem, e elas se mostrarão tão céticas quanto qualquer outra pessoa.
A substituição de “por isso” (linha 28) por portanto manteria os sentidos originais do texto e a coerência de suas ideias.