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A popular combinação de bebidas alcoólicas com energéticos pode aumentar a ocorrência de acidentes e lesões corporais, de acordo com uma pesquisa divulgada em 2017, no Canadá. Isso porque a cafeína contida em energéticos pode criar uma situação em que consumidores se sentem mais despertos e encorajados a beber mais álcool que o normal.
Segundo médicos que desenvolveram o estudo, a combinação também pode causar insônia e elevar a frequência cardíaca desses consumidores, ainda que os pesquisadores argumentem que mais pesquisas sejam necessárias para comprovar essa relação.
No Reino Unido, uma das principais organizações de tratamento do alcoolismo, a Drink Aware, não recomenda o consumo de álcool com energéticos. Entretanto essa prática se tornou popular entre britânicos e em outros países do mundo. No Brasil, segundo estatísticas de consultorias, o mercado desse tipo de produto obteve crescimento médio de 27% nos últimos anos, impulsionado, em boa parte, por seu consumo na vida noturna.
De acordo com a pesquisa canadense, misturar energéticos com álcool pode ser mais perigoso que beber apenas álcool ou uma combinação de álcool com sucos e refrigerantes, por exemplo, pois, com a mistura, tanto os efeitos estimulantes da cafeína quanto os retardadores do álcool se manifestariam.
Em uma análise de 13 pesquisas publicadas entre 1981 e 2016, cientistas da Universidade de Victoria, no Canadá, identificaram em dez delas correlação entre consumo de álcool e energéticos e aumento nos riscos de acidentes e brigas.
Ainda que essa correlação não implique necessariamente relação de causalidade, sendo necessários estudos mais amplos para avaliar potenciais danos à saúde, organismos oficiais em vários países, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no Brasil, não recomendam misturar energéticos e álcool.
A fórmula dos energéticos contém altos índices de cafeína — normalmente cerca de 80 mg em uma latinha de 250 mL, o equivalente a uma caneca de café, enquanto uma lata de 330 mL de Coca-Cola contém 32 mg e uma de Diet Coke, 42 mg dessa substância. Em algumas versões, uma garrafa de 60 mL de bebida energética pode conter até 160 mg de cafeína.
Audra Roemer, uma das autoras do estudo canadense, alerta ainda para a questão comportamental: “Normalmente, quando a pessoa está bebendo álcool, ela fica cansada em algum ponto e vai para casa. Mas os energéticos mascaram isso, então os usuários podem subestimar o quão embriagados estão e beber mais álcool, o que pode levar a comportamentos mais arriscados”.
Gavin Partington, diretor-geral da Associação Britânica de Bebidas Não Alcoólicas, argumenta que, embora um estudo da Agência Europeia de Segurança Alimentar não tenha encontrado evidências de que energéticos “exacerbem os efeitos adversos do álcool”, qualquer bebida alcoólica deve ser consumida com moderação.
Os níveis recomendados de ingestão de bebida alcoólica variam amplamente entre os países, mas o consenso entre as autoridades de saúde é o de combater a noção de que exista uma quantidade “saudável” de consumo de álcool.
Entende-se da leitura do texto que, segundo as autoridades de saúde no mundo, o consumo de bebidas alcoólicas não é benéfico à saúde.