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Todo ser humano possui uma voz única, que, além de constituir uma ferramenta de comunicação, carrega traços de faixa etária, sexo, tipo físico, personalidade e estado emocional. Para alguns, no entanto, ela representa muito mais que isso. Professores, atores, repórteres, cantores e outros profissionais têm na voz uma indispensável ferramenta de trabalho e precisam estar atentos aos cuidados que devem adotar para não a prejudicar.
O som que as pessoas produzem vem do ar expirado dos pulmões. Esse ar passa pelas pregas vocais na laringe, que vibram e o transformam em pulsos sonoros. Quando existe um problema nas cordas vocais, essa vibração se torna defeituosa, o que é chamado disfonia. “A maioria dos problemas é causada por desequilíbrios e abusos vocais, além do excessivo e mau uso da voz”, explica Kelly Cristina Silverio, professora do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB). “As lesões mais recorrentes são o aparecimento de nódulos vocais, cistos intracordais, edemas e fendas glóticas”, acrescenta a professora.
Uma vez instalado o problema de voz e manifestadas as alterações – rouquidão constante, dor ou ardência na garganta, falta de ar ou cansaço ao falar, dificuldade para ser entendido, entre outras –, o sujeito deve buscar um médico otorrinolaringologista, para realizar uma avaliação da laringe, e um fonoaudiólogo, que é capaz de avaliar a voz, associar o diagnóstico médico e tratar a alteração presente caso o problema seja decorrente do comportamento vocal inadequado.
Durante o tratamento, algumas orientações sobre saúde vocal são fornecidas ao paciente com o intuito de promover mudanças em sua rotina. A hidratação é um exemplo. Um organismo bem hidratado propicia maior lubrificação da laringe, o que resulta em menor esforço à fonação. A fonoaudióloga Kelly Silverio explica que isso vale para qualquer tipo de profissão que exija muito da voz. “O ideal é ingerir pelo menos dois litros de água por dia”, comenta. Ela esclarece, ainda, que esse é um hábito que deve ser adquirido e estar presente no cotidiano, e não apenas durante o tratamento.
O regime alimentar também é observado durante a terapia. Uma alimentação mal balanceada pode ocasionar a subida do suco gástrico para a laringe e a faringe, o chamado refluxo gastroesofágico, surgindo sintomas de laringite – rouquidão, pigarro, tosse seca, dor de garganta, entre outros. Segundo Silverio, devem-se evitar laticínios, chocolate, alimentos condimentados e gordurosos e café antes do uso profissional da voz.
Além disso, o próprio modo como a pessoa fala deve ser trabalhado. “Muitas pessoas falam mal: com forte intensidade, concentrando toda a tensão na garganta. Dessa maneira, existe um acúmulo de esforço que prejudica a voz, por isso é importante ensiná-las a ter outro comportamento vocal”, diz a fonoaudióloga.
O fonoaudiólogo oferece ainda ao paciente exercícios para fortalecer a resistência vocal, que devem ser repetidos diariamente em casa. A professora da FOB ressalta que cuidar de processos alérgicos também é essencial para que a voz se equilibre.
“É importante ressaltar que as recomendações, embora gerais, devem ser individualizadas e adaptadas à realidade de cada um. O importante é respeitar os limites de cada profissional, agir na direção de ganhar resistência muscular e vocal para que a disfonia dê lugar ao equilíbrio vocal”, destaca Kelly.
João Vitor Oliveira. A importância da saúde vocal para profissionais (com adaptações).
“o que é chamado disfonia” (linha 7) por onde se chama disfonia