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A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus coloca a sociedade diante da necessidade de explorar significativas mudanças em seus modos de ser e agir. Muito além dos aprendizados em higienização pessoal e dos ambientes, a covid-19 claramente dá às pessoas lições de interdependência e do quanto ações coletivas são fundamentais para superar crises. Desse modo, as análises e projeções econômicas não devem ser apartadas de uma reflexão sobre a distribuição desigual dos riscos, que tendem a afetar mais fortemente os desempregados – inclusive os mais jovens – e os trabalhadores informais, sem amparos trabalhistas. As desigualdades fazem com que pessoas mais pobres se tornem as mais vulneráveis em tempos de recessão. O papel do Estado é central neste momento e as medidas e recomendações das autoridades de saúde devem ser seguidas à risca. Adicionalmente a isso, o setor privado deve, diante das incertezas colocadas no cenário atual, alicerçar suas tomadas de decisão nos princípios da responsabilidade social e na direção do desenvolvimento sustentável, a fim de não agravar as desigualdades já tão aumentadas nos últimos anos no País. Pelo mundo e no Brasil, há alguns exemplos do que tem sido possível fazer de positivo neste momento: empresas de bebidas e cosméticos que usam suas linhas de produção para gerar insumos que contribuirão para a prevenção e o tratamento da doença; empresas do varejo que contribuem com a liquidez de pequenos fornecedores para que não interrompam suas operações; instituições financeiras que ampliam prazos para que pequenos negócios e pessoas físicas consigam fazer um melhor planejamento financeiro, entre outros. Tais medidas, ainda que tímidas, mostram o quanto o setor privado pode ser ativo no desenvolvimento de soluções imediatas em épocas de crise. E ainda é preciso destacar o importante trabalho de pesquisadores brasileiros, que desenvolveram o sequenciamento do coronavírus no Brasil pela técnica conhecida como metagenômica, promovendo informação e tecnologias a serem utilizadas pelos órgãos de saúde, sobretudo no que toca à transmissão local da doença. O momento atual impõe também a observação das correlações entre as perdas e transformações de habitats e do aparecimento ou do reaparecimento de organismos patogênicos, da vulnerabilidade dos centros urbanos, da ultrapassagem das barreiras de espécies e da vulnerabilidade das farmacoterapias nas florestas ameaçadas. A sociedade não é vítima passiva desses processos e ainda pode fazer muito mais para reduzir os riscos de pandemias pela perspectiva ecológica ou pela garantia do humanitarismo, dos direitos humanos, da redução das desigualdades e da manutenção de mecanismos e instituições republicanas e democráticas. Mais do que nunca, as premissas de um desenvolvimento sustentável se mostram ainda mais urgentes.
As formas verbais “ampliam” (linha 30) e “consigam” (linha 31) estão conjugadas no mesmo tempo e modo.