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“Como seria bom ver a própria alma”, cogitou um dia o filósofo francês François Marie Arouet, conhecido como Voltaire. Essa ânsia pelo conhecimento já era experimentada pelos estudiosos da Antiguidade — para eles, no entanto, ainda não estava claro onde exatamente o “espírito” ficava. Embora alguns pesquisadores já suspeitassem que sentimos, pensamos e decidimos com o cérebro, Aristóteles, por exemplo, considerava o coração o órgão central. Para ele, a massa mole na cabeça humana funcionava apenas como uma espécie de refrigerador para o sangue.
Até a Idade Média, era comum que os cientistas obtivessem seus conhecimentos principalmente pelo estudo de textos antigos. Apenas poucos — como o médico grego Herófilo de Chalcedon — empunharam a faca e olharam, eles próprios, o que havia por baixo do crânio.
Na Renascença surgiu a urgência de novos rumos para as pesquisas. E, a partir de então, os anatomistas passaram a saciar sua curiosidade com a dissecção de cadáveres — apesar de terem de enfrentar alguns obstáculos, como Leonardo da Vinci descreveu: “Ainda assim (a dissecação) fascinar-te, talvez teu estômago te impeça o temor de passar as horas noturnas em companhia do cadáver esquartejado, despelado e de aparência terrível”.
Muitos pesquisadores registraram aquilo que viram em desenhos e gravuras. Muitos deles nos deixaram imagens fascinantes, de grande valor estético. Pode ser que os antigos anatomistas nem sempre tenham acertado em suas conclusões, porém suas obras nos fornecem uma visão do desenvolvimento de uma ciência hoje conhecida como estudo do cérebro. Algumas imagens podem parecer estranhas aos olhos do homem contemporâneo, mas vale lembrar que cada cientista é filho de seu tempo. Não sabemos como os pesquisadores futuros vão julgar nossos conhecimentos atuais — e talvez os olhem com um leve sorriso no rosto. Mas nem por isso deixamos de explorar o universo interno.
De acordo com o texto, Aristóteles acreditava que o cérebro teria papel secundário no funcionamento do corpo humano.