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O Brasil é um País diverso, e a diversidade é um ativo, mais que belo, estratégico. Entretanto, o País acabou traduzindo esse ativo em desigualdades, de muitas ordens, que afetam as pessoas ao longo da vida. A desigualdade não é fato dado e exógeno, distante e acidental. Ela é fruto das escolhas do País. Não raras vezes, a desigualdade é produzida ou ampliada por políticas públicas não muito bem desenhadas. Para superá-la, em primeiro lugar, é preciso admitir que a desigualdade é nossa e que nós a (re)produzimos. Em segundo, que as soluções passam pelas escolhas que o País fará.
Um dos meios mais efetivos para enfrentar a desigualdade é a educação, área que é reconhecida como importante por todos, mas que é historicamente pouco priorizada. Há diversos assuntos relevantes em discussão no País, porém, tendo em vista nossos indicadores, nada é mais urgente que investir em educação. Diferentemente da área da saúde ou da segurança pública, em que a perda é imediata, concreta e visual, na educação sem qualidade, a morte é lenta, e os erros das políticas públicas afetam o tempo presente, mas, em especial, o tempo futuro, individual e socialmente.
O fato é que um conjunto de pessoas não está tendo garantido seu direito à educação. Há pessoas ficando para trás, especialmente adolescentes e jovens, e é fundamental que a sociedade se mobilize em torno do assunto. Local de moradia, cor e sexo não podem definir o futuro dos cidadãos. Algumas pessoas já foram perdidas pelo caminho. O Atlas da Violência, divulgado recentemente, mostrou que, em 2017, 55% dos homicídios ocorreram entre homens jovens, sendo que a maior parte das vítimas não tinha o ensino fundamental completo e a imensa maioria assassinada era negra. Outras pessoas, sem suficiente educação formal de qualidade, seguem para uma vida adulta cheia de restrições, criando estratégias em busca do tempo perdido. Mas, afinal, quem são os adolescentes e jovens que estão ficando para trás? Pode-se qualificar esse público por, pelo menos, duas perspectivas: os que estão no sistema educacional e apresentam baixos níveis de aprendizagem e os que deixaram a escola com baixa instrução.
Os indicadores da PNAD Contínua de 2018, pesquisa realizada pelo IBGE, divulgada em junho de 2019, oferece-nos uma visão ampla, também, daqueles que estão fora do sistema de ensino, daí sua importância. Aproximadamente 8% da população de quinze a dezessete anos de idade não frequentavam escola e não tinham educação básica, totalizando um contingente de quase 750 mil jovens. Desses, 60% não tinham chegado a concluir o ensino fundamental, percentual mais elevado que o observado para o restante da população adulta, e cerca de 70% dos responsáveis dos domicílios em que esses jovens moravam não concluíram o ensino fundamental, dos quais 15% nem tinham instrução formal. O quadro de fragilidade desta faixa etária é agravado por outro dado da PNAD: 33% dos jovens de quinze a dezessete anos de idade estavam fora da escola por falta de interesse, o que confirma a inadequação da escola que é oferecida aos jovens brasileiros. Sim, está-se diante de uma imensa responsabilidade.
No texto, predomina a tipologia descritiva, verificada por meio do emprego de elementos qualificativos.