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Desde a fundação do Instituto Nacional do Livro (INL), em 1937, os governos esforçavam-se na implantação e expansão de bibliotecas públicas no País, criadas como ações governamentais sem a participação da sociedade, além de se concentrarem, por meio do INL, na elaboração de uma enciclopédia e um dicionário da língua brasileira que retratassem a identidade e a memória nacional.
A partir de 2003, o Estado começou a dialogar com seus interlocutores e, assim, a identificar e valorizar manifestações até então ignoradas. Ampliaram-se os debates e as possibilidades de participação da sociedade na construção de políticas públicas para a área, com a redefinição dos rumos em relação à gestão pública de cultura. Com conceitos inovadores e de maneira aberta à participação da sociedade, apresenta-se como uma ação que vem preencher o vazio da política cultural de Estado que parecia perpetuada no País até então.
Nesse contexto, foi criado, em 2005, o Sistema Federal de Cultura, com o objetivo de integrar os órgãos, os programas e as ações do governo federal. Com esse caráter, é lançado, em 2006, o Programa Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), um programa que surge com a finalidade de reunir e organizar as ações relacionadas ao livro, à leitura, à literatura e à biblioteca que vinham sendo implementadas no País de maneira dispersa e desarticulada.
Em 2007, com a instituição do Programa Mais Cultura, iniciou-se, no governo federal, um grande movimento a favor da ampliação do número de bibliotecas públicas no País, assim como da modernização de bibliotecas já existentes.
O Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), instituído pelo Decreto Presidencial n.º 520, de 13 de maio de 1992, hoje subordinado diretamente à Fundação Biblioteca Nacional (FBN), órgão vinculado ao Ministério da Cultura, participou de todo esse processo, cujo objetivo era o de implantar um processo sistêmico embasado em ações voltadas para a interação e integração das bibliotecas públicas em âmbito nacional. No entanto, é provável que não estivesse preparado para atuar de maneira propositiva nos moldes que a nova gestão exigia. Além do mais, com a tarefa de executar os programas de implantação de novas bibliotecas e de modernização de bibliotecas já existentes, ficou sobrecarregado com a burocracia que envolvia todo o processo de compra, distribuição e controle de acervo, mobiliário e equipamentos, o que limitou sua condição de participação em discussões, debates e reflexões acerca das políticas culturais para as bibliotecas.
Elisa Campos Machado. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil. 2008. Tese (Doutorado em Ciência da Informação), Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, 2008, p. 77-78. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
Do texto se compreende que a gestão pública de cultura permitiu a participação da sociedade na elaboração de políticas públicas a partir dos primeiros anos do terceiro milênio.