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A influência das emoções na saúde humana, já apontada pelo grego Hipócrates no século IV a.C., recebe atenção cada vez maior na área médica. Em várias pesquisas, observa-se a associação das condições emocionais dos pacientes ao aparecimento e tratamento de doenças. Há linhas de investigação, por exemplo, em que é destacada a relação existente entre o câncer e mulheres com problemas como estresse, distúrbios familiares e conjugais. Há trabalhos também nos quais se analisa como o sistema imunológico humano é afetado pelos sentimentos.
A psicóloga Carmen Neme, docente da Faculdade de Ciências da Unesp, campus de Bauru, enfatiza que o câncer é determinado por complexas relações genéticas, psicológicas, imunológicas e ambientais, mas assinala que um dos fatores mais significativos nesse processo é o chamado estresse crônico, provocado por um ritmo de vida desgastante e pequenas e frequentes frustrações, responsáveis por uma elevada excitação emocional, que, por sua vez, leva ao desequilíbrio psíquico e fisiológico. Ela se baseia em três estudos que promoveu sobre o tema, apresentados no II Congresso Brasileiro de Estresse, em setembro de 2005, na cidade de São Paulo.
O imunologista José Mauricio Sforcin, do Instituto de Biociências da Unesp, campus de Botucatu, trabalha, em uma de suas linhas de investigação, com a associação do estresse com o sistema de defesa do corpo. “Muitos trabalhos têm sugerido essa relação, nos últimos anos, principalmente a partir da descoberta da interligação dos sistemas imunológico, nervoso e endócrino”, comenta o docente.
Sforcin ressalta que indivíduos depressivos costumam apresentar baixa produção de citocina IL-3 – uma proteína que regula as respostas do sistema imunológico às ameaças ao organismo – e reduzido número de células de defesa, os linfócitos, que combatem infecções específicas. “A resposta imunecelular é mais afetada durante o estresse, o que pode levar à progressão do câncer”, completa o imunologista.
O infectologista Domingos Alves Meira, responsável pelo Hospital-Dia da Faculdade de Medicina em Botucatu, que atende pacientes com AIDS no município, também acentua que doenças infectocontagiosas como herpes e AIDS podem ter origem psicossomática. “Como há uma relação íntima entre o estresse e os sistemas imunológico e endócrino, os estados emocionais alterados se transformam em portas de entrada para essas doenças”, afirma.
A mudança de ênfase na compreensão e no enfrentamento das doenças é destacada pelo antropólogo Cláudio Bertolli, docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp, campus de Bauru. Autor de vários livros sobre saúde, Bertolli enfatiza que, durante séculos, a atividade médica foi dominada por uma concepção de caráter materialista, que encara a saúde e a doença como fenômenos biológicos, sem influência de fatores psíquicos.
No entanto, segundo o antropólogo, em decorrência de processos como o surgimento da contracultura, na década de 1960, ganhou força uma tendência que existe desde a Antiguidade, a medicina psicossomática. “O grande desafio da medicina psicossomática é estabelecer relações causais claras entre a manifestação da saúde e da doença e fatores mais complexos, sejam aqueles de ordem exclusivamente psicológica, sejam os que integram corpo, mente e sociedade”, destaca Bertolli.
Assinale a alternativa correta em relação ao texto.