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A incorporação de novas tecnologias médicas constitui hoje um dos grandes desafios dos sistemas de saúde. Se, por um lado, é desejável ampliar o acesso a terapias mais eficazes, por outro, esse é um dos fatores que mais encarecem a assistência. Estudos estimam que ao menos um terço dos custos na saúde se deve às novas tecnologias, presentes hoje em todas as áreas médicas, de prevenção e diagnóstico a tratamento e reabilitação. A telemedicina, por exemplo, tem permitido que o conhecimento de hospitais de ponta chegue a unidades públicas distantes. Os aplicativos prometem revolucionar os meios de prevenção de doenças e aumentar a adesão das pessoas aos tratamentos. Os robôs possibilitam que cirurgias sejam feitas por meio de pequenos cortes, com menos sangramento e recuperação mais rápida do paciente. Nas salas híbridas, exames de imagem são feitos durante a operação, o que aumenta a precisão do procedimento. Na reabilitação, próteses de titânio têm sido usadas nas plásticas craniofaciais para a reparação de deformidades causadas por má formação ou traumas, devolvendo autoestima e funcionalidade aos pacientes. A grande questão que se apresenta é como aumentar o acesso a essas terapias cada vez mais caras em um cenário de recessão mundial e de envelhecimento da população – o que também pressiona o custo da saúde. Nos Estados Unidos da América (EUA), por exemplo, as novas tecnologias em saúde respondem por até 48% do crescimento dos custos médicos. Quase um quinto (17%) do PIB americano é gasto em saúde. “Gastar mais não tem significado melhor qualidade dos serviços de saúde”, diz o economista Amitabh Chandra, professor da Harvard Kennedy School of Government, que esteve recentemente no Brasil. Na comparação com outros países desenvolvidos, como Holanda, Reino Unido, Austrália, Alemanha e Canadá, os EUA gastam mais e têm indicadores de saúde piores. Para o economista Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), se não houver freios, o Brasil corre o risco de repetir os mesmos erros dos norte-americanos. Na opinião de Paulo Furquim, coordenador do centro de pesquisa em estratégia do Insper, é importante que o setor usufrua dos avanços da medicina, mas é fundamental que os efeitos dos custos sejam mais bem analisados. “Os recursos são finitos. E, no final das contas, quem paga é o usuário [de plano de saúde] e o contribuinte”, diz. Para a ampliação do acesso às novas tecnologias, ele defende uma mudança na lógica de mercado. “Hoje é rentável para a indústria inovar em qualidade, sem se preocupar com o custo. Qualidade e custo precisam estar na mesma balança”. Muitos produtos de saúde têm uma vida útil curta. Evoluem ou ficam ultrapassados a cada dois anos, em média, e é grande a pressão comercial para a atualização. “Esse tipo de abordagem gera uma oferta exagerada e desnecessária de equipamentos que só encarecem o sistema e não resultam em melhores indicadores de saúde”, diz Carneiro. O médico Álvaro Atallah, diretor do Centro Cochrane do Brasil, lembra que, para serem incorporadas, as novas tecnologias requerem evidências de boa qualidade. Nova tecnologia, diz ele, “precisa apresentar bons resultados no mundo real, eficiência, ser simples de implementar, trazer menor custo e se comprovar segura para os pacientes. Tudo isso em comparação com o tratamento já existente ou placebo”. Qual o risco de uma incorporação sem esses critérios? “Jogar saúde, vida e outras riquezas fora”, afirma.
“tem permitido” (linha 5) por vem permitindo.