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Dois cientistas da Universidade Federal de São Paulo, em parceria com institutos e centros de pesquisas brasileiros e americanos, avançaram nas pesquisas em busca da terceira dentição, reproduzindo com êxito um molde de dente humano em formato e tamanho igual ao gerado no corpo humano.
Eles já haviam desenvolvido coroas completas com dentina, esmalte, polpa e ligamento periodontal na mandíbula e no abdome de ratos. A novidade agora foi alcançar uma cópia fiel de toda a estrutura de um dente normal por meio da técnica tridimensional a partir de dados obtidos em tomografias ou ressonâncias magnéticas.
Os cientistas conseguiram, em 2004, construir coroas dentais no abdome de ratos com o uso da engenharia tecidual. Quatro anos mais tarde, desenvolveram essas coroas nas mandíbulas dos animais a partir de células-tronco adultas retiradas de dentes da mesma espécie.
“Para avançar nessas pesquisas, faltava, porém, estabelecer o tamanho ideal e individualizado daquilo que a pessoa precisa e, por meio dessa técnica, a gente pôde começar a construir por computador a forma individualizada de caninos e pré-molares”, disse uma cientista envolvida na pesquisa.
De acordo com ela, atualmente, a pesquisa está na fase pré-clínica e ela acredita que essa etapa seja concluída dentro de cinco anos para que então sejam realizados os testes em humanos.
A ideia é a de que haja um mesmo doador e receptor. E a grande vantagem, segundo o outro pesquisador, é que “a pessoa que for fazer uso do resultado dessa técnica não precisará de medicamentos para evitar rejeição, ao contrário do que ocorre hoje no caso de transplantes de órgãos”.
Os pesquisadores reconhecem que os implantes são hoje a melhor alternativa terapêutica, mas esclarecem que eles apenas reparam o órgão. “Os dentes têm um ligamento que os une ao osso. Esses ligamentos têm terminações nervosas que estão ligadas ao cérebro e a todo o sistema nervoso e servem para orientar a força de mastigação. O implante metálico não tem isso, então ele entra no conceito de reparação. Nós estamos visando a uma nova possibilidade, que é regenerar, e não apenas fazer a reparação de algo que está estragado”.
Segundo os cientistas que participaram da pesquisa, essa técnica não serve só para dentes. “Por meio dela, no futuro, poderão ser construídos ossos, cartilagens, mucosa, pele e outros órgãos, como fígado e rim”, disseram.
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