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Mais de 50% da população mundial não tem peso saudável, de acordo com uma recente pesquisa coordenada por um pesquisador inglês especializado em segurança alimentar e sustentabilidade. E a obesidade em todo o mundo mais que dobrou desde 1980.
A professora e diretora do Centro de Política Alimentar da Universidade de Londres diz que o grande aumento das fontes de calorias, desde o início da era da globalização, vem do cultivo de oleaginosas. “Houve um súbito e forte aumento da oferta de óleos de soja e palma e isso parece estar diretamente relacionado com as políticas que tornaram a sua comercialização mais fácil”, explica.
As oleaginosas estão atualmente entre as sementes mais vendidas no mundo e a maior parte dos alimentos processados contém óleos de soja ou de palma, porque isso ajuda a aumentar o seu prazo de validade nas prateleiras dos supermercados, acrescenta a professora. “Como se tornou muito mais fácil e barato para a indústria de alimento importá-los, não houve um desestímulo ao uso desses óleos”, continua.
Uma pequena quantidade de gordura é parte essencial de uma dieta saudável e balanceada, mas gorduras são ricas em calorias, por isso consumi-las em grande quantidade pode aumentar o risco de sobrepeso ou obesidade. Além do mais, as gorduras saturadas e as chamadas trans são também associadas a doenças cardíacas.
Por outro lado, uma recente pesquisa da London School of Economics, que analisou 26 países entre 1989 e 2005, período de grande expansão da globalização, concluiu que a chamada “globalização social” – as mudanças no modo como as pessoas trabalham e vivem – é o que as está tornando obesas, e não a maior oferta de alimentos baratos e mais calóricos. Segundo o estudo, o consumo continua o mesmo dos tempos pré-globalização, mas, hoje, as pessoas trabalham, compram e socializam-se sem necessidade de se movimentar. E, por se movimentarem menos, deveriam comer menos, ou se movimentarem mais.
De acordo ainda com a pesquisa, nos Estados Unidos, por exemplo, embora os índices de obesidade cheguem a quase 35% da população, esse percentual vem se mantendo praticamente o mesmo na última década, o que pode ser um indicativo de que os norte-americanos estejam começando a aprender como comer e adaptar o seu estilo de vida à globalização. A hipótese levantada nessa pesquisa é a de que esse aumento da obesidade seja apenas transitório.
Entende-se da leitura do texto que