///
Todos conhecem casos de atletas vítimas de morte súbita, destacando-se, em Portugal, o caso do jogador de futebol Miklos Fehér, e a ampla divulgação desses casos raros pode ter um efeito negativo na motivação e na simplificação das recomendações para a prática de exercício, principalmente, porque o balanço entre os riscos e benefícios da atividade física nem sempre é bem informado. Os dois tipos de riscos mais frequentemente citados são os cardiovasculares e os musculoesqueléticos.
O exercício físico de intensidade vigorosa aumenta transitoriamente o risco de um evento cardiovascular, de duas a 54 vezes, de acordo com estudos realizados. As atividades com maior risco são as que envolvem intensidade vigorosa, desporto de competição e ambientes frios. Além disso, o risco é inversamente proporcional ao nível de atividade física habitual e aumenta nos indivíduos com doenças cardíacas, metabólicas (como a diabetes e a obesidade) e renais. Esse conhecimento levou ao desenvolvimento, pelo American College of Sports Medicine, de um algoritmo de avaliação de risco pré-exercício, de forma a tornar a prática de exercício mais segura. Essa avaliação pode ser realizada facilmente pelo médico de família ou pelo fisiologista do exercício em um ginásio ou programa de exercício comunitário.
Um estudo americano comparou o número de mortes durante várias maratonas com o número de mortes em acidentes de viação. A comparação mostrou, em termos práticos, que é rara a morte súbita associada ao exercício e baixo o seu risco comparativamente a outras atividades do dia a dia. Além de reduzidos, os riscos são ainda minimizáveis se forem evitadas as transições abruptas de inatividade física para atividade vigorosa; se forem cumpridos os períodos de “aquecimento” e “arrefecimento”; se o indivíduo tiver conhecimento de sinais de alerta; se o exercício for evitado em situações extremas de temperatura.
É ainda fundamental salientar que a própria inatividade física é um dos principais fatores de mortalidade global. De fato, um indivíduo que faça atividade física de intensidade vigorosa durante uma hora corre o dobro do risco de síndrome coronária aguda durante essa mesma hora, mas esse risco diminui pela metade nas restantes 23 horas. Há também evidência de que o exercício tem efeitos terapêuticos eficazes em 26 doenças crônicas que abrangem um largo espectro de condições psiquiátricas, metabólicas, cardiovasculares, pulmonares, musculoesqueléticas e neoplásicas.
“De fato, um indivíduo que faça atividade física de intensidade vigorosa durante uma hora corre o dobro do risco de síndrome coronária aguda durante essa mesma hora, mas esse risco diminui pela metade nas restantes 23 horas.” (linhas de 38 a 41): Realmente, um indivíduo que faz atividade física de intensidade vigorosa durante 1 hora, corre o dobro do risco de síndrome coronária aguda à essa mesma hora, diminuíndo pela metade nas restantes 23 horas.