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A América Latina e o Caribe enfrentam um deficit habitacional enorme e crescente que só poderá ser atendido se os governos da região incentivarem mais investimentos do setor privado para aumentar a oferta de habitações adequadas e a preços acessíveis, conclui um novo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Atualmente, uma em cada três famílias na América Latina e no Caribe, ou 59 milhões de pessoas, vive em uma moradia inadequada ou construída com materiais de baixa qualidade, além de carecer de serviços de infraestrutura. Dos três milhões de domicílios que se formam anualmente nas cidades latino-americanas, cerca de dois milhões correspondem a moradias informais, como as favelas, devido à oferta insuficiente de casas adequadas e a preços acessíveis.
O estudo, a mais recente edição da principal publicação do BID, Desenvolvimento nas Américas, oferece um exame aprofundado dos mercados habitacionais urbanos em dezoito países da América Latina e do Caribe e analisa as regulamentações e políticas da região. O estudo mostra que os países da América Latina e do Caribe têm uma incidência maior de favelas do que outros países com níveis de renda semelhantes, um sinal de que os mercados habitacionais da região não estão atendendo à demanda de moradias formais, principalmente para a população de baixa renda.
O estudo estima que, se os governantes da região pretendem eliminar o deficit habitacional existente, usando apenas programas governamentais de desenvolvimento habitacional e urbano, terão de incrementar sete vezes o investimento em programas de moradia públicos, o que implicaria um gasto de US$ 310 bilhões, ou 7,8% do produto interno bruto regional.
Claramente, os recursos públicos são insuficientes e o investimento privado é crucial para diminuir a brecha habitacional da região, segundo o estudo. Para atrair investimentos do setor privado, ampliar o estoque de habitações acessíveis e melhorar as que existem, é preciso que os governos facilitem e implementem incentivos para o desenvolvimento de uso misto dos terrenos, melhorem a regularização e a titulação fundiária e o financiamento de hipotecas e explorem opções que vão além da casa própria e incluam aluguéis e técnicas de construção mais eficientes.
Internet: <www.iadb.org> (com adaptações).
Na linha 2, o vocábulo “que” está empregado em referência a “crescente”.