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Afirmar que há línguas primitivas é um equívoco equivalente a afirmar que a Lua é um planeta, que o Sol gira ao redor da Terra, que as estrelas estão fixas em uma abóbada. Tais equívocos foram correntes, mas hoje há um argumento forte contra eles: o conhecimento científico. Da mesma maneira, hoje se sabe que todas as línguas são estruturas de igual complexidade. Isso significa que não há línguas simples e línguas complexas, primitivas e desenvolvidas. O que há são línguas diferentes. Uma análise de qualquer aspecto de qualquer das línguas consideradas primitivas revelará que as razões que levam a esse tipo de juízo não passam de preconceito e(ou) de ignorância. Não é decente, nesse domínio, basear-se no preconceito do “ouvi dizer”. Hoje, a bibliografia sobre línguas no mundo é abundante; qualquer pessoa interessada pode descobrir que, há muito tempo, os estudiosos mostraram que é ridícula a ideia de que há línguas primitivas, só porque são faladas por povos pouco cultos, segundo um critério pessoal – por exemplo, não escrevem, não moram em prédios de apartamentos, não têm armas sofisticadas... De certa forma, essa revolução copernicana, no domínio das línguas, ainda não se tornou conhecida do grande público...
Os vocábulos “muito” (linha 16) e “pouco” (linha 18) estão empregados no texto com função adverbial.