///
Frequentemente os estoques dos bancos de sangue chegam a níveis muito baixos, colocando em risco a vida de muitas pessoas que precisam urgentemente receber transfusões sanguíneas. Talvez você já tenha se questionado: se transplantes de órgãos são possíveis, por que os mortos não “doam” sangue? Pode parecer um pouco macabro, mas esta ideia faz sentido e já foi usada pelo Instituto Sklifosovsky na Rússia, que coletou sangue de cadáveres, suprindo 70% das necessidades clínicas. Porém, há vários impasses que fazem com que essa fonte não seja utilizada.
Para que a doação de sangue seja segura, é necessário que o doador preencha vários quesitos, que protegem sua saúde e a de quem irá receber o sangue. Neste caso, então, o cuidado com a saúde obviamente volta-se somente ao receptor.
Muitas pessoas não são aptas a serem doadoras por possuírem, por exemplo, deficiências sanguíneas ou doenças transmissíveis. E, tratando-se de pessoas mortas, as probabilidades de elas terem alguma doença que torne seu sangue impróprio à doação são maiores.
A impossibilidade de realizar a comum entrevista é outro fator que põe em risco a segurança do procedimento. Muitos pensam que essa não seja necessária, já que, de qualquer modo, inúmeros testes e análises serão feitos à procura de vírus, bactérias e outros fatores que possam comprometer a saúde do receptor. Mas, sem a entrevista, que busca obter informações sobre situações ou comportamentos de risco do doador, aumentam as chances de que o sangue seja coletado durante a janela imunológica de alguma doença. Nesse período, o organismo está infectado, mas ainda não produz anticorpos suficientes para serem detectados nos testes.
Outra barreira é o curto tempo de conservação do sangue. Poucas são as oportunidades em que a coleta poderia acontecer antes que o sangue comece a coagular ou que fique com muitos produtos residuais.
A conclusão é a de que, apesar da escassez de sangue, atualmente ainda é mais fácil (e mais barato) investir para que mais pessoas, vivas, doem sangue voluntariamente.
É correto inferir da leitura do texto que as transfusões com sangue coletado de cadáveres são evitadas tanto porque expõem o receptor a muitos riscos de saúde, como também porque custam mais caro que aquelas feitas com doadores vivos.