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A relação entre urbanização e transmissão de doenças é bastante antiga. Em 1854, por exemplo, um pesquisador inglês, estudando um surto de cólera em Londres, descobriu que ele estava vinculado ao despejo de esgoto no Rio Tâmisa, cujas águas depois eram usadas para o consumo da população.
Hoje, pode-se afirmar que o mosquito Aedes aegypti vem se multiplicando graças à degradação ambiental em regiões-chave do Brasil e em outros países, como comenta Peter Hotez, reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical na Baylor College of Medicine. Os principais elementos que contribuíram para a emergência do Zika vírus têm sido “o crescimento populacional humano, a falta de planejamento no crescimento urbano, a globalização e a falta de um controle eficaz de vetores”, acrescenta o diretor-fundador do Programa de Pesquisa em Doenças Infecciosas Emergentes da Duke-NUS Graduate Medical School, em Cingapura.
A história do Zika exemplifica como certos tipos de ambientes urbanos e seus dejetos favorecem os mosquitos, e outros tipos de mudanças ambientais podem piorar a disseminação de vetores de doenças. Há provas consideráveis de que a construção de barragens pode alterar ambientes aquáticos para promover a proliferação de vetores de doenças. “A construção da barragem da região superior do Rio Volta promoveu a emergência em massa da esquistossomose em Gana”, afirma Hotez.
A esquistossomose é uma doença devastadora disseminada por caracóis de água-doce portadores de parasitas e transmitida a humanos que nadam em águas contaminadas. Barragens e outros projetos de gerenciamento hídrico podem agravar a situação, porque expõem as pessoas ao contato com esses caracóis.
Pior ainda que a esquistossomose é a malária – que também é agravada pela construção de grandes barragens. Pesquisas recentes sugerem que barragens na África subsaariana são responsáveis por pelo menos 1,1 milhão de novos casos africanos de malária todo ano, segundo noticiou o jornal Washington Post. E o que é válido para as represas também é para o corte e a queimada de florestas, igualmente envolvidas no aumento de transmissão de doenças para humanos.
A expressão “todo ano” (linha 37) poderia ser correta e coerentemente substituída por a cada ano.