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Como ampliar os conhecimentos linguísticos?
Os usos da linguagem somente acontecem sob a forma de textos. Nesse sentido, seria de toda relevância incluir, nas atividades com a Língua Portuguesa, questões, análises, pesquisas relacionadas a:
gêneros textuais orais e escritos, vistos como práticas sócio-históricas disponíveis para as atividades de interação verbal; vistos, ainda, em suas especificidades de composição, conforme incluam esses ou aqueles esquemas de construção, os mais estáveis e os mais flexíveis, incluindo a incorporação dos meios eletrônicos e suas consequentes adaptações à escrita exigida por esses meios; diferentes tipos de recursos coesivos, os quais desempenham funções absolutamente pertinentes, como itens que criam e sinalizam as ligações necessárias à continuidade semântico-pragmática que caracteriza os textos coerentes. Em geral, esses recursos de coesão textual, quando aparecem nos livros didáticos, são vistos apenas como itens da gramática, quase sempre, conjunções. Assim é que, em grande parte dos manuais, a coesão do texto é explorada apenas (e muito levemente) quando se apresenta a classe dos pronomes e a dos conectivos, como se não dispuséssemos de muitos outros recursos para estabelecer nexos entre suas partes. Poderíamos citar os recursos da paráfrase e do paralelismo, recursos criados pelas possibilidades léxico-gramaticais da língua e que tanto peso têm na construção dos gêneros destinados à exposição, à explicação ou a outros similares. Também convinha lembrar as muitas funções textuais e discursivas desempenhadas pela repetição de palavras, de expressões e de outros segmentos do texto, tanto dos textos falados quanto daqueles escritos. A tradição escolar conferiu à repetição um caráter de vilã da boa linguagem, sobretudo quando se trata da linguagem escrita. Falta pôr os alunos numa atitude científica de analisar o que realmente acontece nos textos, o que implica abrir mão daquele olhar prescritivo que sabe procurar somente erros e respectivos acertos. Igualmente seria de grande pertinência a análise de como as palavras de um texto se interligam semanticamente, formando verdadeiras redes de associação de sentidos, tantas quantos são os tópicos em desenvolvimento no texto.
Atividades desse tipo, entre outras, permitiriam que percebêssemos que há inúmeros conteúdos linguísticos que podem ser acrescentados àquilo que a escola costuma rotular como “estudo de gramática” e que muito sentido têm para que se rompa, de fato, com a desvinculação que impusemos à gramática, isolando-a, primeiramente da língua, e, depois, do texto, ou seja, dos usos autênticos da linguagem.
ANTUNES, I. Gramática contextualizada: limpando o “pó das ideias simples”. São Paulo: Parábola, 2014. p. 96-102. [Adaptado.]
Assinale a alternativa correta, de acordo com o texto 2.