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Brasil, brasileiros Não é a cor que nos faz diferentes. Não é o samba que nos faz iguais. Na diferença, somos muito mais que a cor da pele. Na semelhança, vamos muito além do samba. Nós, os brasileiros. É claro que somos de todas as cores. Até aí, a velha história de que esquimó, cidadão do gelo, vê centenas de tons de brancura que não vemos permite concluir que os alemães também são de muitas cores, os quenianos, os tailandeses, todos enfim. E por aqui, transforma-se a diferença em igualdade, juntamo-nos todos em um só maravilhoso grupo: o dos misturados. Aqui e ali, os cabelos crespos convivem com as sardas e peles rosadas, e os olhos profundamente azuis são emoldurados por pele negra. Mas somos diferentes porque o Brasil, imenso que é, nos faz pescadores no litoral, vaqueiros no sertão, funcionários na cidade. E assim, cada vida cresce de um jeito, sendo nós diferentes debaixo da pele: no costumes, na comida, no acreditar. Também é inegável que o samba faz parte de nós. Mas é preciso haver o direito de não sermos do samba todos os brasileiros. Nem somos todos tão assim musicais – embora sejam de dar muito orgulho os que, dos nossos, fazem música. Nestas bandas brasileiras, ouvem-se violinos nas terras do axé, distantes oboés em morros de funk, estridentes guitarras em campos de sertanejo. Mais: não nos surpreendemos. Esperamos do nosso povo essa diversidade. Somos demais além de batuques, cuícas e pandeiros, sendo também eles. Sendo também a mulata de fogo nos pés, sendo também a bateria a recuar, sendo também a velha guarda a acenar. Mas nunca somente. No entanto há uma brasilidade, um bichinho que não se vê. Existe um sentimento de ser brasileiro que mora em cada um, o que nasce aqui e o que vem descobrir. Todos nós somos um só. Cada um de nós é muitos. “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”, na diferença e na igualdade, que vivamos em harmonia para sempre. (Fábia Alvim)
A partir de uma leitura atenta do texto, pode-se concluir que a autora: