///
Atenção: Nesta prova, considera-se uso correto da Língua Portuguesa o que está de acordo com a norma padrão escrita.
Leia o texto a seguir para responder as questões referentes ao mesmo.
LINGUAGEM DEMARCADA
Por Aldo Bizzocchi Adaptado de: http://revistalingua.uol.com.br/textos/96/artigo298639-1.asp Acesso em 04 mar 2015.
Vê-se, nos dias atuais, um grande esforço em prol da inclusão social, por meio de campanhas educativas, ações afirmativas, valorização da diversidade, repressão à intolerância, adoção de cotas para minorias. No entanto, por mais que se tente combatê-lo, o preconceito segue firme e forte em todas as sociedades, das mais primitivas às mais desenvolvidas.
Discriminação por motivos étnicos, raciais, religiosos, sociais e até linguísticos parece uma chaga longe de ser superada.
A explicação para esse comportamento pode estar em nossa biologia. Estudos conduzidos de maneira independente em diversas universidades, uns com viés biológico, outros com foco psicológico ou social, apontam que a rejeição que sentimos pelo diferente pode ter sido moldada por milênios de evolução da espécie humana.
Para a bióloga Marta Fischer, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, o preconceito é algo natural. - É um estímulo discriminatório essencial à manutenção do grupo. Pode ser entendido como algo genético e vital para a evolução das espécies - afirma a professora.
Como o homem é um ser gregário, o sentimento de pertencer a um grupo e, consequentemente, o impulso a rechaçar os elementos estranhos foi uma estratégia inteligente de sobrevivência numa época em que estávamos longe de dominar o planeta. Criar vínculos sociais com base em características semelhantes parece natural e é algo que transcende a espécie humana.
Segundo Marta, ao formarmos grupos, atentamos ao que nos aproxima de determinados indivíduos e que nos diferencia dos demais. [...] "Coisas menos comuns que a média, ou que acontecem raramente, parecem atrair uma parcela desproporcional da nossa atenção e são lembradas mais facilmente. Esse fenômeno pode dar origem a estereótipos." [...]
Dentre as várias formas de discriminação está o preconceito linguístico. Esse termo, difundido por Marcos Bagno (UnB), denomina a aversão por aqueles que falam de modo diferente, especialmente as pessoas menos escolarizadas, por isso mesmo mais distantes do padrão linguístico, e as provenientes de rincões afastados dos grandes centros, cuja fala é mais regional. Em suma, pessoas que utilizam variedades linguísticas de menor prestígio.
Segundo Bagno, o preconceito linguístico encobre, na verdade, formas mais profundas de discriminação. O indivíduo cuja fala revela origem rural é identificado com traços como pobreza, ignorância, alienação, falta de polidez, de bom gosto, bom-senso, cidadania. Ou seja, sua pronúncia e sua gramática nos levam a traçar um raio X - verdadeiro ou equivocado, mas de todo modo preconcebido - dessa pessoa. E aí o preconceito linguístico se torna preconceito social, étnico, religioso ou racial.
Mas, se o preconceito, seja linguístico ou de qualquer outra natureza, existe e é um instinto biológico instalado em nossos genes, então a educação pode - como em relação aos nossos demais instintos -, no máximo, atenuar essa pulsão, jamais eliminá-la: até as pessoas mais cultas e conscientes do problema deixam extravasar, em momentos de descontrole emocional (quando aflora o instinto "animal"), sua ira contra o diferente, em especial se este é visto como inferior.
No caso específico da língua, o preconceito tem duas vertentes: uma de índole grupal e chauvinista, resquício de nossa herança tribal, e outra social, ligada à dinâmica da vida numa sociedade estratificada.
[...] Nesse sentido, muitos trabalhos teóricos têm equivocadamente enfatizado os aspectos sociais da questão - alguns linguistas, como Marta Scherre, chegam a defender a criminalização do preconceito linguístico - quando seria muito mais proveitoso unir as teorias da linguagem aos conhecimentos da biologia, psicologia e neurociência para compreender melhor o fenômeno e saber até que ponto somos ou não capazes de combatê-lo. A ciência deve primeiro conhecer os fatos para depois julgar os valores.
De acordo com o texto é possível concluir que: