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A primeira versão de Tanto Mar foi composta em 1975, mas não pôde ser conhecida pelo público brasileiro. Vetada pela censura, a música foi gravada apenas em Portugal, que um ano antes vivera a Revolução dos Cravos, movimento que pôs fim à ditadura salazarista no país.
Tanto mar*
(Chico Buarque/1ª versão - 1975)
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim.
*Letra original vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal em 1975.
Leia as afirmativas seguintes:
I – Os verbos no presente nos remetem a um sujeito enunciador contemporâneo ao evento que enuncia; entretanto, ele é um sujeito exilado.
II – Os dêiticos ‘cá’ e ‘lá’, além de apontarem para a distância espacial entre os interlocutores, apontam também para caracterização desses espaços distintos em que se encontram: o espaço da festa, da primavera X espaço da não festa, da não primavera, da doença.
III – Para que o critério coesivo da intencionalidade seja plenamente realizado nesse texto, é preciso que o leitor/ ouvinte saiba que ‘pá’ é um vocativo muito comum em Portugal, além de ter conhecimento sobre a Revolução dos Cravos ocorrida naquele país em 1974.
IV – Há um jogo intertextual entre os versos ‘Sei também quanto é preciso, pá/Navegar, navegar’ com frase do general romano Pompeu, popularizada pelo poeta português Fernando Pessoa: “Viver não é preciso, navegar é preciso”.
V – O texto é o resultado da colagem de múltiplas alusões, o que o torna ilegível para boa parte dos falantes de PB.
A opção com as afirmativas CORRETAS é: