///
Os excertos abaixo foram retirados do livro História concisa da literatura brasileira de Alfredo Bosi. Referem-se à poética romântica e a poetas românticos brasileiros os excertos: I – “Como seus ídolos europeus, os nossos [...] exibem fundos traços de defesa e evasão, que os leva a posições regressivas no plano da relação com o mundo [...] e no das relações com o próprio eu...” p.93
II – “[...] no conjunto da obra gonçalvina que vive dos grandes temas [...] do amor, da natureza, de Deus. Mas é preciso ver na força de Gonçalves Dias indianista o ponto exato em que o mito do bom selvagem, constante desde os árcades, acabou por fazer-se verdade artística. O que será moda mais tarde, é nele matéria de poesia.” p.105
III – “As novas atitudes de espírito almejam a apreensão direta dos valores transcendentais, o Bom, o Belo, o Verdadeiro, o Sagrado, e situam-se no polo oposto à ratio calculista e anônima. Não tentam, porém, superá-la pelo exercício de uma outra razão[..]; as suas armas vão ser as da paixão e do sonho, forças incônscias que a Arte deveria suscitar magicamente.” p. 264
IV – “[...] Álvares de Azevedo [...] foi o escritor mais bem dotado de sua geração.[…] Em vários níveis se apreendem as suas tendências para a evasão e para o sonho.[...] A evasão segue, nesse jovem hipersensível, a rota de Eros, mas o horizonte último é sempre a morte, o ‘É vão lutar - deixa-me perecer jovem’ de Byron, o cupio dissolvi como forma última de resolver tensões exasperadas.”p. 110-112
V – “Mas um poeta […] que se vê dilacerado entre matéria e espírito, dará à palavra a tarefa de reproduzir a sua própria tensão e acabará acusando os limites expressionais do verbo humano.[...]o artista vale-se de todos os recursos linguísticos veiculados pela nova poética para sugerir o seu desejo do transcendente.”p.272-273