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Arquitetura (Texto utilizado nas questões 1 e 2) Não quero construir nada. Talvez uma letra de música da mais vagabunda para tocar na estrada. Chegar no meio da vida sem olhar para trás. Não quero construir nada que não, de mim, uma versão cada dia renovada. Moro num bairro que não me diz nada. Para meus vizinhos eu sou o vizinho que ainda liga o rádio. Flores que não plantei enfeiam a frente da casa alugada. Julguei fizera tudo errado. Chuva morte erva daninha: se refaço a matemática, é tudo dádiva. Uma perversão, edificar a coisa edificada. Eu não quero construir nada. Só transformar em ruínas, todo dia, o que em mim se faz parede erguida, nova morada. (CARRIAS, Eleazar Venancio. Máquina. Urutau, 2021)
Depreende-se do texto que: