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Em muitas organizações, decisões são tomadas com base em argumentos técnicos ou administrativos, excluindo a participação direta de funcionários, servidores, colaboradores ou cidadãos. Em certos casos, esse discurso é utilizado para justificar a ausência de consulta pública, mantendo uma aparência de neutralidade ou de racionalidade técnica.
Com base no quadro de Marchiori (2010), e considerando os mecanismos de poder presentes nas organizações, a situação descrita representa um caso de:
| Efeitos da desinformação | Compreensão (confusão/distração) | Confiança (falsa segurança) | Consentimento (ilegitimidade) | Conhecimento (falsidade) |
|---|---|---|---|---|
| Decisões | Decisões transmitidas com deliberada ambiguidade: retórica com intenção de provocar confusão (por exemplo, atender os realmente necessitados). | Decisões simbólicas (falsas promessas). | Decisões alcançadas sem representação legítima de interesses públicos, mas recorrendo ao consentimento público como se esse não fosse o caso. | Decisões que se mostram falsas às possibilidades atuais do público (por exemplo, a decisão de se livrar do lixo eletrônico com segurança). |
| Exercícios do poder | Ofuscar os resultados pelo uso de jargão ou de quantidade de informação. | Acompanhamento de personagens respeitáveis para ganhar confiança (independentemente do significado). | Argumentar que uma questão política é na verdade uma questão técnica e que é melhor deixar para os peritos. | Antes que as decisões sejam tomadas, deturpar custos, benefícios, riscos e reais opções no processo de planejamento. |
| Modelagem de necessidades sentidas | Diagnóstico, definição de problema ou definição de solução. | Apelos ritualísticos à ‘abertura’ aos ‘interesses públicos’ e ‘corresponsabilidade’: o encorajamento de dependência sobre oponentes políticos e fracos. | Apelos para adequação e eficácia dos processos formais de ‘participação’ ou mecanismos de mercado sem mencionar suas falhas sistemáticas. | Apresentação ideológica ou ilusória de necessidades, exigências ou fontes de satisfação (propaganda falsa, ‘solicitação de emprego’). |