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Leia o texto a seguir para responder à questão que segue.
‘Miúdos’ que falam ‘brasileiro’ em Portugal – Sérgio Rodrigues.
A reportagem publicada nesta quarta (10) no Diário de Notícias de Lisboa acrescenta uma página de comédia – agridoce, mas engraçada – ao novelão dos encontros e desencontros entre as variedades de português faladas aqui e em Portugal. “Há crianças portuguesas que só falam ‘brasileiro’”, anuncia o título com alarme. O subtítulo explica: “Dizem grama em vez de relva, autocarro é ônibus, rebuçado é bala, riscas são listras e leite está na geladeira em vez de no frigorífico”.
O curioso fenômeno que faz os miúdos soarem como pequenos brasileiros tem explicação mais simples do que aquele abordado pelo escritor português Valter Hugo Mãe no romance “A Máquina de Fazer Espanhóis”. Afinal, a língua no presente caso é a mesma – ou não?
A reportagem resume assim o problema do deslocamento linguístico: “Os educadores notam-no sobretudo depois do confinamento – à conta de muitas horas de exposição a conteúdos feitos por youtubers brasileiros”.
Sim, a raiz do fenômeno está naquilo que “a maioria das crianças portuguesas vê nos ecrãs de tablet, computador ou telemóvel”. Luccas Neto, 36 milhões de seguidores, é citado como o principal desencaminhador linguístico de tuguinhas. Como António, 4 anos, que “começou a dar sinais há já algum tempo. Ao princípio, a família até achava alguma piada à forma como ele falava (...). Mas à medida que o tempo foi passando, a educadora de infância começou a preocupar-se e foi dando sinais, porque o menino não conseguia dizer os r’s nem os l’s”.
Claro que há muito alarmismo e superficialidade nessa abordagem – como é habitual quando o jornalismo, espelhando o senso comum, trata de temas linguísticos–, para não falar do antibrasileirismo que parece andar em alta na cultura portuguesa. De todo modo, recomenda-se pôr a questão em perspectiva.
Para construção do sentido global do texto, é correto afirmar que o autor