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ENSINAR É PRECISO
O que se nota, estudando o português brasileiro atual, é que o pronome ele, na função de objeto direto, é usado em praticamente todas as manifestações da língua falada, até mesmo nas mais monitoradas, enquanto os oblíquos (o, a, os, as) ocorrem quase sempre em manifestações escritas, em gêneros textuais mais monitorados e, bem mais raramente, nas falas que são, de fato, oralizações de textos escritos (discursos, pronunciamentos etc.).
Com isso, fica evidente que existe lugar, sim, para o ensino sistemático, na escola, dos usos dos pronomes oblíquos – assim como o pronome cujo, que já examinamos, esses pronomes são, na prática, “estrangeiros” para a esmagadora maioria dos brasileiros, já que eles nunca são empregados espontaneamente na fala diária. A pouca familiaridade com o uso dos oblíquos leva algumas pessoas a se confundir na hora de fazer a concordância verbal, tratando os oblíquos como sujeito e não como objeto direto: [...]
Esse ensino, no entanto, sem dúvida necessário, não pode ser feito com base na ideologia autoritária do “certo” e do “errado” – não há absolutamente nada de errado no emprego de ele como objeto direto. O ensino tem que ser feito com base, isso sim, em análises criteriosas dos usos variáveis da língua, na distribuição desses usos pelo amplo espectro dos gêneros textuais falados e escritos, que são as manifestações concretas, reais, empíricas da língua. Toda vez que abrimos a boca para falar ou nos colocamos a escrever, estamos produzindo um texto que, inevitavelmente, se constituirá segundo as convenções dos gêneros textuais que circulam na sociedade e estão incorporados à nossa cultura letrada. O reconhecimento dessa diversidade de usos é imprescindível para a boa educação linguística dos nossos alunos. Ficar falando, como se faz, sobre “a língua”, como se fosse um bloco compacto, rígido, homogêneo e invariável, só leva à perpetuação do preconceito linguístico que examinamos na primeira parte deste livro.
Grifos do autor.
BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim! em defesa do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2009, p. 146 - 147.
Levando-se em consideração as “competências específicas de linguagens para o ensino fundamental” elencadas pela BNCC*, a qual competência abaixo relacionada as observações do texto em análise se referem diretamente?