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Nesta história, o facto de se melhorar as condições do trabalho visa tão-só um incremento de produção. É melhor do que nada, mas está muito aquém da verdadeira utilidade daquilo que é inútil: “também Georges Bataille se perguntou, em El limite de lo útil, sobre a necessidade de imaginar uma economia atenta à dimensão do antiutilitarismo [...].
O erro está muito próximo da inutilidade e ambos têm um papel fulcral na criatividade. Não precisarei de salientar este ponto que já foi muito debatido, mas sublinho a convicção de que as coisas mais importantes da vida não são utilitárias: desprezamos quem faz um gesto por lucro ou benefício e não pelo gesto em si, ou por amizade ou amor. O que sentiríamos se um amigo confessasse que só conversa connosco porque lhe pagam para isso? Ou que uma mãe confessasse ao filho que apenas o educa e trata bem de modo a ter alguém para a amparar na velhice? É na inutilidade que está o altruísmo e aquilo que o ser humano considera naturalmente mais nobre.
CRUZ, Afonso. Vamos comprar um poeta. Porto Alegre: Dublinense, 2020, p. 82-83.
De acordo com as regras ortográficas determinadas pelo AOLP 1990, em qual alternativa existe erro ortográfico?