///
MELHOR UM MÁGICO NA MÃO QUE DOIS VOANDO
Discretamente maquilado, sorri o pálido rosto do mágico debaixo dos refletores, enquanto, no alto, a mão volteia, se espalma e, em gesto de quase dança, mergulha seca na cartola.
Mas algo parece retê-la lá dentro. Esforça-se o mágico, puxa, joga para trás o peso do corpo. Tenta sorrir para o público. E já o antebraço afunda na cartola, some o cotovelo. Ainda luta, cravando a outra mão no tampo da mesinha. Depois os pés. Inútil. O ombro é tragado no vórtice das abas, nem se salvam o pescoço esticado, a cabeça. Diante da plateia expectante que acredita tratar-se de um novo truque, todo o corpo desaparece pouco a pouco, num último adejar das caudas do fraque.
No fundo de cetim branco, triunfa o coelho. Pela primeira vez, conseguiu botar um mágico na cartola.
Assinale a opção em que o emprego do acento indicativo de crase está errado.