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Se os manuais escolares ainda não tomaram conhecimento das diversas possibilidades que existem de tratar a compreensão de texto, isto não deve ser motivo para desânimo. Nem significa que devemos jogar fora os manuais. Eles são úteis e podem continuar em uso, mas precisam de uma complementação. Já é suficiente ter claro que a compreensão, enquanto "leitura da realidade", "leitura do mundo", é uma atividade bastante complexa, em geral de cunho ideológico e nunca isenta de equívocos. Também não é uma pura atividade de garimpagem de informações objetivas.
Será proveitoso conscientizar-se de que ninguém é "dono" exclusivo do(s) sentido(s) dos textos. O autor não põe no texto todos os sentidos; o leitor não é dono dos sentidos e os sentidos não estão todos no texto. O sentido é algo que surge negociada e dialogicamente na relação entre o leitor, o autor e o texto sob as condições de recepção em que estamos situados, pois os textos têm seus sentidos determinados por muitas condições, sobretudo as condições em que ele é produzido e lido. O autor pode ter querido dizer uma coisa e o leitor ter compreendido outra: o equívoco é possível.
Uma coisa é certa: não podemos ter a ilusão de que um texto tem uma só leitura (compreensão) nem que a nossa leitura ou compreensão é a única ou a mais correta. O sentido se dá num processo muito complexo em que predominam as relações dialógicas, e os conteúdos textuais são apenas uma parte dos dados. O dia em que a escola se conscientizar disso estará efetivamente contribuindo de maneira substantiva para a formação de cidadãos críticos. Estará dando um passo decisivo para a melhoria das condições sociais e individuais dos milhões de estudantes de hoje que amanhã serão os adultos responsáveis nas mais diversas atividades do dia a-dia.
Azeredo (op. cit.) também afirma não haver “problema com esse conceito de gramática (normativa), desde que se tenha bastante clareza sobre a finalidade da prática escolar baseada nele. O equívoco da tradição que exagerou a importância desse conceito foi fazer crer que a variedade padrão é um uso universalmente indispensável à comunidade. O problema, que existe, está na insuficiência de descrições sobre o uso padrão contemporâneo do português do Brasil e na consequente falta de uma política clara de ensino da língua, apesar dos esforços de vários estudiosos brasileiros”. Com base nesse raciocínio, o ensino da gramática normativa deve ser conduzido, levando-se em conta que: