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Texto I Autopsicográfica O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas da roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama o coração. Fernando Pessoa Texto II Por que escrevo? O escritor é um observador. Observa tão atentamente Que na escrita tem que expor Tudo o que percebe à frente. E ainda sabe ele que ao escrever De fugir da timidez é capaz... Se cara a cara não consegue deixar ver Tudo o que seu coração traz... E, enfim, nos textos que cria (Com gosto doce, salgado ou azedo) Está a sua mais profunda fantasia, Toda sua emoção, todo seu medo. Brincar com as letras é, com magia, Levar seu mundo à ponta do dedo. Ana Helena Ribeiro Tavares
A respeito do texto II, podemos afirmar que em relação ao texto I é: