///
Nas últimas décadas, a reconfiguração territorial brasileira intensificou a interdependência entre os espaços rural e urbano, rompendo com leituras dicotômicas clássicas que descreviam o rural como "atrasado" e o urbano como "moderno". Processos como a urbanização do campo, a expansão do agronegócio globalizado, o transbordamento da malha urbana sobre áreas periurbanas, o surgimento de centralidades intermediárias e as redes logísticas multimodais têm produzido territórios híbridos, desafiando políticas públicas e instrumentos de planejamento que foram historicamente pensados sob pressupostos rígidos de separação funcional e espacial.
Ao mesmo tempo, conflitos socioambientais e disputas por uso da terra emergem em zonas de interface rural-urbana: a especulação imobiliária avança sobre áreas com forte vocação agrícola ou com serviços ecossistêmicos estratégicos; empreendimentos agroexportadores disputam recursos hídricos com cidades em expansão; e populações tradicionais ou agricultores familiares são pressionados tanto por lógicas produtivas hegemônicas quanto por dinâmicas urbanas de valorização fundiária, frequentemente sem acesso à infraestrutura urbana prometida nem à proteção territorial rural consolidada. Considerando esse contexto, avalie as alternativas a seguir e assinale a interpretação mais coerente à luz da geografia contemporânea dos espaços rural e urbano e suas implicações para o planejamento territorial no Brasil: