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Libertação dos escravos no Ceará: 25 de março de 1884 ou 1º de janeiro de 1883?
"A festança do 25 de março foi adredemente preparada pelo então ladino governador Dr. Sátyro de Oliveira Dias, que tomara posse no dia 21 de agosto de 1883", aponta em artigo o jornalista e poeta Barros Alves
É correto exaltar o Ceará como a primeira província a libertar os escravos, tomando-se a data de 25 de março de 1884 para a comemoração do evento. Todavia, toda data comemorativa tem algo de arbitrário, é sempre definida por quem detém o poder. Essa não é diferente. No caso em apreço, a data poderia ser muito bem o 1º de janeiro de 1883, quando Redenção, na Vila do Acarape, foi a primeira localidade do Brasil que concedeu liberdade formal a seus escravos. Quando se fala no 25 de março, logo nos vem à mente o município de Redenção, porque poucos sabem que ali a libertação dos cativos se deu mais de um ano antes da data definida em face da lei que determinou a data comemorada oficialmente hoje. A festança do 25 de março foi adredemente preparada pelo ladino governador Dr. Sátyro de Oliveira Dias.
Olvidemos o ano de 1884 e lembremos as libertações que foram feitas no ano de 1883. A 4 de janeiro fundou-se em Fortaleza o "Centro Abolicionista 25 de Dezembro" entidade que tinha por objetivo "promover a manumissão dos escravos", confirme registro do Barão de Studart, a quem recorremos para esta breve crônica. De logo esse Centro libertou 54 escravos. Em 25 de março de 1883 extingue-se a escravidão nos municípios de Icó e Baturité. Um mês depois é a vez da vila São João do Príncipe, como era denominada a atual Tauá até 1889. Vale salientar que o primeiro nome era mesmo Tauá, vila criada sob a invocação de São João do Príncipe, pela Ordem Régia de 22 de julho de 1866. A Lei 485, de 14 de outubro de 1898 restabeleceu a primitiva denominação que permanece até os dias atuais.
Maranguape e Messejana libertaram os escravos no dia 20 de maio de 1883. Para tanto foi despendido pelo governo da província a quantia de 2.140,00 réis para libertar 24 cativos de Maranguape e 2.500 réis para tornar livres 25 de Messejana. Vê-se, portanto, que o contingente escravizado no Ceará era muito pequeno em comparação com a população escrava de Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 23 de maio o Aquiraz libertou seus 60 escravos. Em 24 de maio Fortaleza colocou em liberdade os escravos em "esplêndida festa tão grande quão humanitária", segundo o redator do jornal "O Cearense", órgão oficial da província. Daí, 24 de maio ser nome de rua no perímetro central da nossa capital..."
Barros Alves, jornalista e poeta
Os termos em destaque, nos trechos acima, recebem sintaticamente o nome de: