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- O que é isto, Aurélia?
- Meu testamento.
Ela despedaçou o lacre e deu a ler a Seixas o papel. Era efetivamente um testamento em que ela confessava o imenso amor que tinha ao marido e o instituía seu universal herdeiro.
- Eu o escrevi logo depois do nosso casamento; pensei que morresse naquela noite, disse Aurélia com um gesto sublime.
Seixas contemplava-a com os olhos rasos de lágrimas.
- Esta riqueza causa-te horror? Pois faz-me viver, meu Fernando. É o meio de a repelires. Se não for bastante, eu a dissiparei.
As cortinas cerraram-se, e as auras da noite, acariciando o seio das flores, cantavam o hino misterioso do santo amor conjugal.
("Senhora", Alencar, José Martiniano de,)
Olhos Negros
(...)
Muito maus! Nunca me dizem
O que bem sabem dizer;
Não me dão uma esperança
E nem ma deixam perder;
Andam sempre me enganando,
Têm gosto em ver-me sofrer.
Por mais terno que os suplique,
Não se condoem de mim;
Às vezes fitam-me a furto,
Porém nunca dizem sim.
Ah! olhos negros tão maus,
Nunca vi outros assim.
Não quero mais estes olhos!
Amo agora umas estrelas
Que brilham num céu de anil;
Sem receio de ofendê-las,
Bebo a luz dos olhos seus;
Só vivo agora de vê-las.
("Olhos negros", Alencar, José Martiniano de,)
Observando-se os textos 2 e 3 quanto aos tipos e gêneros textuais e respectivas características, analise os itens abaixo:
I. Ambos são pertinentes a um gênero literário chamado literário em que determinadas nuanças da língua formal podem ser transgredidas.
II. Tais gêneros possuem, como uma das principais características, a utilização da conotação.
III. O texto 2, em prosa, pertence ao gênero narrativo, sendo o tipo, chamado de romance de costumes.
IV. O tipo de narrador, empregado por José de Alencar, é onipresente, uma vez que o protagonista usa a primeira pessoa.
Ponha V para as afirmações verdadeiras e F, para as falsas, identificando a única alternativa correta: