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Leia o texto de Victor Hugo e responda às questões: [...] Veio a Revolução, os acontecimentos se precipitaram, as famílias parlamentares, dizimadas, procuradas, cercadas, dispersaram-se. Charles Myriel, logo nos primeiros dias da Revolução, fugiu para a Itália. Aí sua esposa faleceu, vítima de afecção pulmonar, de que há tempos sofria. Não tinha filhos. Que se passou, então, na vida de Charles Myriel? Talvez a destruição da antiga sociedade francesa, a queda de sua própria família, os trágicos espetáculos de 1793, mais aterradores ainda para os emigrados, que os viam aumentados pela distância e pelo medo, tivessem feito nascer nele ideias de renúncia e solidão. Terá sido ele, em meio às distrações e amizades que ocupavam sua vida, subitamente vitimado por um desses golpes misteriosos e terríveis, que, às vezes, atingindo o coração, transtornam o homem que as catástrofes públicas, tirando-lhes família e fortuna, não conseguiriam abalar? Ninguém o poderia afirmar com segurança; sabe-se apenas que, ao voltar da Itália, ele era Padre.
Em 1804, Myriel era Vigário em Brignolles. Já idoso, vivia em profunda solidão.
Pela época da coroação, um pequeno problema de sua paróquia o levou a Paris. Entre outras pessoas influentes, visitou o Cardeal Fesch, para defender interesses de seus paroquianos. Numa ocasião em que o Imperador fora ao palácio de seu tio, o digno Sacerdote, que esperava na antecâmara, achava-se no caminho por onde Sua Majestade devia passar.
HUGO, Victor. Os miseráveis. São Paulo: FTD, 2013. P 25.
A partir da leitura desse trecho do clássico de Victor Hugo, entende-se que Charles Myriel: