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Leia o belo trecho de Morte e Vida Severina: auto de natal pernambucano.
FUNERAL DE UM LAVRADOR
- Essa cova em que estás,
Com palmos medida,
é a conta menor
que tiraste em vida.
- É de bom tamanho,
Nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
deste latifúndio.
- Não é cova grande,
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.
- É uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.
- É uma cova grande
para teu defunto parco,
porém mais que no mundo
te sentirás largo.
- É uma cova grande
para tua carne pouca,
mas à terra dada
não se abre a boca.
(Melo Neto. J.C. de. Morte e Vida Severina e outros poemas em voz alta, 25. Ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1988. P. 87-88).
Esse trecho de João Cabral de Melo Neto refere-se: