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"Algumas vezes se disse: 'A História é a ciência do passado'. É erro dizê-lo, em meu entender. Primeiro que tudo, a própria ideia de que o passado, como tal, possa ser objeto de ciência é absurda. De fenômenos cuja única característica comum é não terem sidos nossos contemporâneos, como faremos, sem decantação prévia, matéria de um conhecimento racional? Será possível imaginar, simetricamente, uma ciência total do universo em seu estado presente? É certo que nos primórdios da historiografia os velhos avalistas se não embaraçavam com escrúpulos desta ordem. Contavam, desordenadamente, acontecimentos cujo único vínculo era terem ocorrido no mesmo momento: eclipses, granizos, aparição de espantosos meteoros com as batalhas, mortes de heróis e de reis. (...). 'Ciência dos homens', dissemos nós. É ainda muito vago. Temos de acrescentar: 'dos homens no tempo'. O historiador não pensa apenas o humano. A atmosfera em que o seu pensamento respira naturalmente é a categoria da duração."
De acordo com o texto é correto afirmar: