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"Em meados dos anos 1960 'democracia racial' voltou a ter o significado original freyreano da mestiçagem e mistura étnico cultural tout court. Tornou-se, assim, para a militância negra e para intelectuais como Florestan Fernandes, a senha do racismo à brasileira, um mito racial. Finalmente, para alguns intelectuais contemporâneos, o mito transforma-se em chave interpretativa da cultura brasileira. Morta a democracia racial, ela continua viva enquanto mito, seja no sentido de falsa ideologia, seja no sentido ideal que orienta a ação concreta dos atores sociais, seja como chave interpretativa da cultura. (...). Noção criada durante a ditadura varguista para nos incluir no mundo dos valores políticos universais, a 'democracia racial' precisa agora ser substituída pela simples democracia, que inclui a todos sem menção a raças. Estas, que não existem, faríamos melhor se não a mencionássemos como ideal, como o que deve ser, reservando-as para denunciar o que não deveria existir (o racismo)".
Sobre a "democracia racial" e as questões étnico-raciais no Brasil é incorreto afirmar: