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COM LIVROS CONTAMINADOS POR DDT, FUNCIONÁRIOS FECHAM BIBLIOTECA NAUSP
Marcelle Souza
Do UOL, em São Paulo
20/02/201519h18 > Atualizada 21/02/2015 - 08h07
A Biblioteca da FFLCH ficará fechada a partir de segunda-feira (23) porque livros do acervo doado à instituição estão contaminado com inseticida.
Os funcionários da Biblioteca Florestan Fernandes, da FFLCH-USP (Faculdade de Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP), começam na segunda-feira (23) uma paralisação em protesto contra a manutenção no local de 9.200 livros que estão contaminados com produtos tóxicos. A direção afirma que os volumes do acervo têm valor bibliográfico "inquestionável".
Segundo laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), livros do acervo doado à FFLCH estão contaminados com substâncias tóxicas, entre elas o DDT -um inseticida proibido em todo o país desde 2009 por fazer mal à saúde- e seus derivados.
"Eu tive várias manchas pelo corpo, que coçavam muito. Também tive muitas dores no corpo, os médicos não sabiam o que era, e fiz vários exames para detectar câncer, que é uma das coisas que esses produtos fazem com o corpo do ser humano", diz uma funcionária que não quis se identificar.
O Sintusp (Sindicato dos Funcionários da USP) diz que os primeiros sintomas começaram a ser relatados em março do ano passado, entre eles dores de cabeça, no corpo, náusea, sangramento do nariz, dor de garganta, inchaço dos olhos, vermelhidão e coceira no corpo.
Os funcionários dizem que imediatamente avisaram a direção da biblioteca e da FFLCH dos sintomas que teriam sido causados pelo pó branco (DDT) depois que os livros foram doados à unidade. “A direção sabe desse problema há um ano. Primeiro foram os alunos, monitores, que relataram problemas de saúde, depois foram os funcionários. Nada foi feito. Na minha seção, todos ficaram doentes na mesma época, com sintomas parecidos, como dor de cabeça, vômito e alergia. “Não é coincidência", diz uma funcionária. Ela afirma que os livros doados estão no segundo piso da biblioteca, separados apenas por um tapume do resto do acervo.
"Isso gera grande insegurança, pois não há como garantir que essa substância, um pó branco, não tem potencial dispersivo e que não esteja sendo espalhado por ventiladores e ar-condicionado, contaminando toda a biblioteca", afirma a nota divulgada pelo sindicato na quinta (19).
"A paralisação é pelo envio desses livros para um local seguro, pela preocupação também com os milhares de estudantes que voltam à faculdade nessa semana [as aulas na USP começam no dia 23], para que não se deixe chegar mais uma vez a uma situação dramática como aconteceu em outros casos", afirma Bruno Rocha, diretor do Sintusp, em referência à contaminação da USP Leste.
Sobre o fragmento “Ela afirma que os livros doados estão no segundo piso da biblioteca, separados apenas por um tapume do resto do acervo.”, podemos afirmar que: