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Dizem as más línguas que Campos Gerais era uma cidade movida a futebol.
Que lá existiam 42 campos para 10 mil habitantes, o que dava a média de um campo para cada 238 habitantes, incluindo mulheres, bandeirinhas e juízes.
Que nas praças, a grama e as flores eram plantadas de forma a desenharem um estádio de futebol, uma camisa da seleção, uma taça, um apito, uma bola, um bomba de encher bola, tudo o que vocês puderem imaginar.
Que nas missas de domingo, o padre Amâncio fechava os olhos e rezava pela vitória do Ferroviário e do Bangu, os dois principais times da cidade. E que quando era dia de clássico, Ferroviário x Bangu, ele pedia a Deus que vencesse o melhor. Mas no fundo todo mundo desconfiava que o padre era Bangu doente.
Que o cartório do Mazinho, vizinho do campo do Bangu, vivia vazio, mas que em dia de jogo lotava: todo mundo querendo casar, descasar, recasar, qualquer coisa. Só porque do cartório dava pra ver o jogo de graça. [...]
No trecho “Mas no fundo todo mundo desconfiava que o padre era Bangu doente”, a expressão Bangu doente: