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A epidemia de Dengue se alastra com a rapidez do voo de um mosquito. Na sexta feira, o próprio governo já admitia um total de 100 mil pessoas contaminadas no estado do Rio, cerca de 80% delas entre a população da região metropolitana do Rio de Janeiro. As estatísticas colocam esta epidemia como a maior de todas, superior às de 1987 e 1991. E a geografia da doença continua a se expandir. Em São Paulo, onde a prefeitura já espera uma epidemia, já houve pelo menos uma morte, revelada na sexta feira. Pelas fotos dos jornais, percebe-se que o perigo não ronda mais apenas as famílias pobres e mal nutridas, dos subúrbios e periferias. A classe média foi atingida, atores e atrizes sucumbem ao mal, e assim por diante. O clima faz lembrar — pelo que lemos nos livros — o avanço de pestes como a febre amarela no início do século XX, combatidas e vencidas por Oswaldo Cruz. Mas, para agravar a situação, não temos mais Oswaldo Cruz. O que fazem as autoridades nesse momento? Brigam, como vinham brigando desde o primeiro sinal da epidemia. [...] E assim vamos. Ou melhor, não vamos, quando — mostram os números — todos os níveis da administração pública, incluindo as forças armadas, já deveriam ter iniciado um grande mutirão para conter a proliferação do Aedes Aegypti onde fosse necessário. Oswaldo Cruz teria feito isso. Comportam-se como se navegassem no Titanic, o transatlântico indestrutível tragado pelo mar. É como se nada de importante estivesse acontecendo. A comparação só não é perfeita porque, no Titanic, havia pelo menos uma pessoa na ponte de comando que conhecia a dimensão da tragédia — o comandante. É oportuno lembrar o título do artigo de uma vítima do mosquito, a compositora e cantora Joyce: “Estão brincando com as nossas vidas.”
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